SÃO PAULO - Quando se trata de intoxicações, as crianças são as maiores vítimas e as casas onde vivem, verdadeiros campos minados. Um raio-x dos casos registrados no estado do Rio de 2006 a 2007, feito pelo Centro de Controle de Intoxicações do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), revelou que, em 38% dos atendimentos, os medicamentos são a principal causa, seguidos por produtos como água sanitária e detergentes.
Letra de médico
Quando se trata de medicamentos, a intoxicação pode ser acidental, como quando uma criança toma meio vidro de xarope como se fosse um refrigerante. Mas, segundo Lília, são comuns também os erros na administração, seja porque os pais deram uma dose maior sem acompanhamento médico ou porque a letra do médico na receita é ilegível.
“Os pais devem exigir do médico a letra legível. Às vezes, até o balconista pode trocar o medicamento por não entender. Outro risco é administrar o remédio no escuro”, explica.
O fácil alcance a esses agentes químicos faz com que crianças de até 9 anos protagonizem 54% dos 3.666 casos registrados.
“Faltam campanhas educativas. Por mais que você fale para não deixar medicamentos e outros produtos nocivos ao alcance, as pessoas não acreditam no risco”, explica a toxicologista Lília Ribeiro Guerra, coordenadora clínica do Centro de Controle de Intoxicações, hoje o único em funcionamento no estado.
Gisele Gonçalves Pereira, dona-de-casa de 27 anos, é uma das que nunca entende o que está escrito nas prescrições de remédios de seus filhos Natan, de 1 ano, e Andrew, de 3.
“Peço ao médico para ler a receita para mim, para entender o que está escrito e saber na hora de comprar”, conta.
Os números revelam que, na maioria dos casos (52%), a intoxicação é acidental. E, na hora do desespero, as famílias contam com um serviço 24 horas, pouco divulgado, espalhado pelos quatro cantos do país: os Centros de Informações e Assistência Toxicológica. Até maio deste ano, o estado do Rio contava com dois, um na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o ligado à UFF. O primeiro fechou as portas por falta de verbas e o segundo herdou o dobro de trabalho.
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