Estudo

Desmatamento da Mata Atlântica caiu 69% até 2005

BBC Brasil

Atualizada em 27/03/2022 às 13h37

SÃO PAULO - O ritmo de desmatamento da Mata Atlântica caiu 69% no período entre 2000 e 2005 em relação a 1995-2000, mas ainda assim restam apenas 7,26% de um dos biomas com maior diversidade do Brasil, revelam os dados do novo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado nesta terça-feira.

São Paulo, com uma queda de 91%, e Espírito Santo (-95%) foram os Estados onde a redução dos novos desmatamentos ocorreu de forma mais acentuada.

Dos 1,3 milhão de metros quadrados que antes se espalhavam por 17 Estados brasileiros, sobraram 97.596 km2, segundo o estudo, elaborado pela organização não-governamental SOS Mata Atlântica e pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

As maiores taxas de desmatamento ocorreram em Santa Catarina (45.530 ha), Minas Gerais (41.349 ha) e Bahia (36.040 ha), nesta ordem, de acordo com o levantamento, que mapeou 98% do bioma ou 16 dos 17 Estados (a exceção foi o Piauí).

A diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, disse que apesar da queda no período analisado pelo Atlas, o acompanhamento mais recente dos cinco municípios com as maiores taxas de desmatamento indica um "aumento muito preocupante" nos últimos dois anos.

"A avaliação não reflete o estado global da Mata Atlântica mas já aponta o que está acontecendo nesses municípios", disse Hirota, numa entrevista coletiva online promovida pela SOS Mata Atlântica.

"No Rio de Janeiro, por exemplo, o total de desmatamento triplicou entre 2005-2007 comparado com 2000-2005 quando realizamos esta análise sobre 75% do território. Em valores absolutos foi baixo mas em termos percentuais é um alerta para o Estado."

Os cinco municípios analisados entre 2005 e 2007, por serem considerados os mais críticos em termos de desmatamento, foram Bituruna (PR), Itaiópolis (SC), Coronel Domingos Soares (PR), Palmas (PR) e Encruzilhada (BA).

Os números que constam do quarto Atlas SOS Mata Atlântica/Inpe estão bem abaixo dos do governo, que estima haver mais de 20% em remanescentes de mata atlântica.

Flavio Ponzoni, coordenador técnico do Atlas pelo Inpe, explicou que a discrepância se deve à diferença das metodologias - a oficial, por exemplo, considera áreas remanescentes de mata atlântica já degradadas, que são excluídas no Atlas.

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