Pesquisa

Câncer é segunda doença que mais mata no Brasil

G1

Atualizada em 27/03/2022 às 13h50

SÃO PAULO - No Dia Nacional de Combate ao Câncer, especialistas jogam pesado contra o consumo de tabaco e fazem recomendações, aparentemente simples, para a prevenção da doença que é a segunda causa de morte no país: manter-se magro, sem ficar abaixo do peso; praticar uma atividade física, por pelo menos 30 minutos todos os dias; evitar bebidas açucaradas; comer mais alimentos de origem vegetal; e jamais fumar. Para os médicos, o fumo ainda é um grande vilão da saúde, já que aumenta o risco de câncer e outras doenças graves.

O alerta foi reforçado durante apresentações de trabalhos científicos e conferências no 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer (International Cancer Control Congress), organizado pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) em hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, nesta terça-feira (27). Pelas estimativas da doença, que prevêem pelo menos 470 mil novos casos para os próximos dois anos no país, vale a pena seguir a receita. No último ano, 130 mil pessoas morreram de câncer no Brasil.

'Hoje, no Brasil e no mundo, a tendência é o crescimento dos casos de câncer, relacionado ao envelhecimento da população e à exposição prolongada a fatores de risco. Nos países desenvolvidos, o câncer já é a primeira causa de morte. No Brasil, há 20 anos o câncer era a quarta causa de morte. Hoje é a segunda, atrás das doenças cardiovasculares', afirma o diretor do Inca, Luiz Antonio Santini.

Problema de saúde pública - O objetivo do congresso, que reúne mais de 500 especialistas entre os maiores oncologistas e pesquisadores de câncer do mundo, é discutir o câncer como um problema de saúde pública.

De acordo com a Estimativa da Incidência do Câncer no Brasil, haverá, entre homens, 231.860 novos casos da doença em 2008, sendo os tipos mais incidentes o de pele não melanoma e de próstata. 'Entre os homens, o câncer de próstata será o mais incidente em todas as regiões brasileiras. As diferenças regionais estão ligadas a níveis de desenvolvimento, relacionados à expectativa de vida e, portanto, ao envelhecimento da população', disse o diretor do Inca. Santini ressaltou, no entanto, que hoje 60% dos casos de câncer podem ser curados.

Estudo é o mais completo do mundo - O trabalho, divulgado durante o evento, representa o mais completo estudo mundial sobre a relação entre dieta, atividade física, sobrepeso e o câncer. A pesquisa foi desenvolvida por 21 cientistas reconhecidos mundialmente. Em cinco anos de pesquisa, eles revisaram sete mil estudos sobre a doença realizados desde a década de 1960.

A estimativa revela que São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina serão os estados com o maior número absoluto de casos de câncer previstos para 2008. O estado de São Paulo e a capital vão liderar as estimativas para todos os tipos de câncer.

As maiores taxas de incidência de câncer de próstata serão observadas no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e no Paraná. O câncer de mama terá sua maior taxa no Rio de Janeiro, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo.

O câncer de pulmão em homens apresentará maior risco de incidência no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Nas mulheres a distribuição é semelhante.

Os tumores de estômago em homens são mais incidentes no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo, Já nas mulheres as maiores taxas ocorrem no Paraná, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.

Recomendações - De acordo com o estudo, manter-se magro dentro de limites saudáveis, evitando o consumo excessivo de carne vermelha e bebidas alcoólicas, é uma das melhores maneiras de prevenir o câncer. Para os especialistas, a ligação entre gordura corporal e câncer é mais direta do que se imaginava. Foram encontradas evidências de que a obesidade está ligada a cinco tipos de câncer: de esôfago, de pâncreas, do endométrio, de rim, de mama (pós-menopausa) e colo-retal.

Outra evidência é a ligação entre carnes vermelhas e processadas com o câncer colo-retal. Segundo a pesquisa, as pessoas não devem comer mais que 500g de carne vermelha cozida por semana. Carnes processadas, como presunto e bacon, devem ser consumidas com parcimônia.

O relatório recomenda atividade física regular, alimentação rica em hortaliças, frutas e cereais, com limite no consumo de sal e alimentos salgados e evitar, também, bebidas açucaradas. O documento incentiva ainda a amamentação, já que, segundo o estudo, o aleitamento protege a mãe do câncer de mama.

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