SÃO PAULO - Mal resolveu a crise que ameaçava rachar o partido, Fernando Henrique Cardoso já tem pronta uma solução para evitar um longo e desgastante enfrentamento entre José Serra e Aécio Neves na disputa pela indicação presidencial em 2010, como já ocorrera em 2006. A fórmula é simples e engenhosa: o ex-presidente arquiteta uma chapa puro-sangue para a próxima eleição presidencial, com Serra para presidente e Aécio para vice.
A fórmula propõe que os dois firmariam um compromisso prefixado de, vencendo as eleições, lutar para extinguir a reeleição - o que daria condições e tempo a Aécio para se consolidar como candidato do partido em 2014 e juntar força suficiente para enfrentar o eventual retorno de Lula, que então terá 69 anos.
A fórmula - já conhecida nos ninhos tucanos paulistas e mineiros e bem recebida nos dois - tem três grandes virtudes. A primeira é acomodar os dois maiores lÃderes tucanos num acordo que lhes permitiria atravessar em harmonia os quatro anos até a próxima eleição; a segunda, garantir a unidade do partido até lá; a terceira, somar os resultados administrativos dos dois governos estaduais para apresentar na eleição.
União Natural
Entusiastas da fórmula-FHC exaltam outra virtude: com ela, o partido se sentiria empolgado e aprumado para um objetivo que nas duas últimas disputas lhe passou distante - a vitória numa eleição presidencial. Essa empolgação, alegam, é o melhor combustÃvel para aplainar crises. Com essa perspectiva no cenário, mesmo estando num horizonte distante, o partido se uniria naturalmente.
Enquanto não chega a hora de anunciar a chapa puro-sangue, o PSDB se prepara para realizar, até o meio do ano, um congresso para aprovar novas diretrizes, que incorporariam idéias mais à esquerda e de maior visibilidade popular. Alguns pleiteiam que o congresso deva aprovar a substituição do atual presidente, senador Tasso Jereissati (CE), pelo senador Sérgio Guerra (PE). Mas as lideranças acham que isso seria traumático e preferem eleger a nova direção em novembro, como indica o calendário.
Na atual geopolÃtica tucana, Serra detém a maior parcela de força em todo o paÃs. Além do apoio da maioria dos deputados eleitos por São Paulo, os serristas estão espalhados por todos os estados. Aécio está em plano semelhante, mas tem controle absoluto de toda a bancada mineira, à exceção do PT. Nas Assembléias Legislativas, Aécio controla 61 dos 74 deputados; Serra, no entanto, tem uma maioria menos confortável - poderá contar com no máximo 58 de um total de 94 deputados.
Informações do G1
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