SÃO LUÍS - Na próxima quarta-feira, 27, será lançado pela Agência Espacial Francesa no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, o satélite Corot (Convection, Rotation and Planetary Transits), com objetivo de identificar planetas pequenos e rochosos no sistema solar. O experimento francês, que terá duração de três anos para ser concluído, contará com a participação do Brasil por meio da estação terrena do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), localizada no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, que será a base para monitoramento das informações obtidas pelo satélite, uma espécie de Estação de Recepção de Dados.
O lançamento ocorrerá às 12h23 (horário de Brasília) e será transmitido em tempo real pelo site http://www.cnes-tv.com/corot_en/. O evento também será acompanhado na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), a partir das 11h.
O projeto foi orçado em cerca de US$ 120 milhões, dos quais cerca de US$ 2 milhões foram pagos pelos brasileiros. A participação do Brasil será expressiva, já que o país colaborou com técnicos que ajudaram a desenvolver os softwares do satélite além de ter uma antena, localizada em Alcântara, que vai receber os dados do espaço. Pelo menos 80 pesquisadores brasileiros estão envolvidos no projeto.
O monitoramento será dividido em duas fases: a primeira será iniciada seis horas após o lançamento e a segunda com início previsto para meados de fevereiro. "Serão duas fases de monitoramento. A primeira vai coletar informações para a previsão de órbita e a segunda será iniciada em fevereiro para a coleta de dados científicos", explica Fernando Almeida, responsável pela estação do Inpe, no CLA.
ACORDO
Pela primeira vez, astrônomos brasileiros participam da construção de um satélite científico com os mesmos direitos de seus parceiros europeus de explorar os dados científicos a serem obtidos. A parceria, que recebeu o nome de Corot-Brasil, foi acenada em meados de 1999, e em 2001 a Agência Espacial Francesa fez um convite oficial à Agência Brasileira. No dia 14 de junho, com a assinatura do acordo entre o Ministério de Ciência e Tecnologia, o Centro Nacional de Estudo Espacial da França e a Agência Espacial Brasileira, ficou definida a participação brasileira.
A parte brasileira está sendo coordenada pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP) e prevê, além da utilização da estrutura do CLA, a participação de até cinco engenheiros/cientistas brasileiros na elaboração dos programas de calibração, correção instrumental e redução de dados.
A Estação do Inpe no CLA receberá os dados do satélite e os enviará, via Internet rápida, para a sede Instituto, em São José dos Campos. De lá, as informações seguirão para Toulouse, onde está situada a agência espacial francesa (CNES). Depois de pré-tratados, os dados retornam para bases em São Paulo e Natal, no Rio Grande do Norte.
ATIVIDADE
O satélite Corot faz parte do programa de pequenos satélites da agência espacial francesa CNES. Com peso total de 600 kg, ele utilizará uma plataforma PROTEUS (CNES-Alcatel) de órbita baixa (850 km). A carga útil é composta de um telescópio afocal de 270 mm, uma câmera de grande campo (~10° de raio, no céu) equipada com quatro detectores CCD (2048 x 2048 pixels) e eletrônica de controle, processamento e transmissão de dados. O satélite mede 4,20 x 2,00 metros aproximadamente e é dedicado à sismologia estelar (análise de pulsações não-radiais das estrelas) e à procura de exoplanetas.
O Corot analisará características como pequenas variações da luminosidade de estrelas semelhantes ao Sol. Com uma tecnologia muito sutil, o satélite pode medir a interferência que ocorre na intensidade da luz dessas estrelas durante o trânsito dos planetas desse sistema solar. Girando na órbita da Terra, o Corot passará seis meses do ano focado em uma direção. Depois, ele girará 180 graus e observará o outro lado por mais seis meses. O satélite vai trazer informação e municiar outros satélites que serão lançados em 2012 justamente para procurar vida extraterrestre.
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