Não houve erro médico, diz diretor de maternidade

Júlio Matos afirma que atendimento à parturiente que morreu foi correto.

Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h11

SÃO LUÍS - O diretor da maternidade Benedito Leite, Júlio César Matos, afirmou ontem, durante entrevista coletiva, que o hospital adotou todas as medidas necessárias para evitar a morte da parturiente Carluene Ferreira Pires, de 18 anos, que faleceu no último dia 11, vítima de complicações pós-parto. Ao contrário do que denunciou a mãe da parturiente, Jucilene Ferreira Cruz, as complicações, segundo o diretor do hospital, não teriam sido provocadas por uma infecção hospitalar decorrente de uma cesariana tardia.

De acordo com Júlio Matos, no momento em que Carluene foi internada, no dia 27 de novembro às 14h25, a equipe médica que estava de plantão constatou que a paciente já sofria de uma infecção urinária. Além disso, conforme a direção do hospital, a parturiente foi internada com “bolsa rota” (perda do líquido amniótico). Os dois problemas apresentados pela jovem teriam causado complicações no parto. Diante disso, logo depois que Carluene deu entrada na Maternidade Benedito Leite, a equipe do hospital começou a tratar dos dois problemas com cortecóideterapia (tratamento a base de cortecóide) e aplicação de outros antibióticos, com a intenção de salvar a criança, que sofria sério risco de morte. “Se a gente não fizesse isso, certamente os dois, tanto a criança, quanto a mãe, teriam morrido. Agora, o fato é que, ao contrário do que disse a mãe, a infecção que a paciente teve não foi contraída no hospital”, assinalou o diretor da maternidade.

Infecção

Um outro problema alegado pela família e que foi rebatido pela direção do hospital diz respeito à possibilidade da infeção ser provocada por uma cesariana tardia da criança. Segundo a direção da maternidade, a criança era prematura e tinha aproximadamente 30 semanas de gestação, o que não seria argumento suficiente para submeter a paciente a uma cesariana imediatamente. Matos disse ainda que como foi detectado o problema de infecção em Carluene, logo que ela deu entrada na maternidade, a equipe médica teria, primeiramente, esperado uma melhor formação do feto para realizar a cesariana. Luís Riquelme nasceu com 1,430 kg e até hoje está internado na maternidade. Ele, segundo a equipe médica, passa bem e não corre risco de morte. “Todo o procedimento foi correto. Tomamos o máximo de cuidado com a paciente e realizamos a cesariana às 14h25 do dia 28 por entender que era o momento correto. Depois disso, nós a medicamos e a deixamos em observação. Verifique que, diante disso, não houve nenhum problema nestes procedimentos. Achei apenas injusta a acusação da mãe, muito embora compreenda a comoção dela em ter pedido uma filha”, assinalou o diretor do hospital.

No dia 6 último, de acordo com o diretor do hospital, diante do quadro avançado de infecção da parturiente, foi feita uma intervenção para retirada de aproximadamente três litros de secreção. Após a intervenção, Carluene foi encaminhada ao hospital Socorrão II, onde morreu às 4h45 do dia 11. “Infelizmente, perdemos uma paciente, algo que a gente não gostaria. Mas, às vezes, passamos por esse tipo de problema e não temos como evitar. A Maternidade Benedito Leite é praticamente um Socorrão e temos que dar conta de pacientes de todo o estado. Mas, mesmo assim, estamos perdendo apenas para dois hospitais da rede privada”, propagandeou o diretor da maternidade.

Atualmente, segundo números do hospital, são realizados, mensalmente, aproximadamente 270 partos. Destes, 55% são normais e o restante cesarianas. “Desse número, apenas um teve problema. Acho injusto você criticar uma instituição apenas por um caso, que não foi nossa culpa”, finalizou Júlio César Matos.

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