Futuro presidente terá dificuldades no Congresso, dizem analistas

Estadão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h24

NOVA YORK - A menos de seis meses das eleições presidenciais brasileiras, o panorama eleitoral é incerto, mas independentemente de quem seja eleito presidente, o avanço das reformas no Congresso se tornará mais difícil.

Esse foi o prognóstico feito por analistas políticos e financeiros durante um seminário promovido nesta semana pela Câmara Brasil-EUA de Comércio, em Nova York.

"Ninguém sabe quem vai ganhar a eleição," disse o diretor da consultoria Early Managing, Alexandre Barros. "As últimas pesquisas eleitorais mostram que a base eleitoral de Lula não entendeu ou não está interessada nas acusações contra o PT e o presidente."

"Graças à sua dianteira nas pesquisas, Lula hoje seria o favorito," disse o diretor para a América Latina da consultoria Eurasia Group, Christopher Garman. "Mas se ele ganhar, seu segundo mandato sem (o ex-ministro da Fazenda) Antonio Palocci gera alguma preocupação."

´Risco de populismo´

De acordo com o vice-presidente do departamento de estratégia soberana do banco de investimento Lehman Brohters, John Welch, se Lula ganhar, "aumenta a possibilidade de que ele torne-se mais populista e certamente sua capacidade de controlar o Congresso se tornará ainda mais difícil."

Mas Welch acrescentou que seria bem improvável "que a situação de 2002 se repita," referindo-se à crise cambial que antecedeu a eleição de Lula há quatro anos.

Para os analistas, a chance de que o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, assuma a liderança nas pesquisas está diretamente ligada à capacidade da oposição em manter o governo Lula na defensiva nos próximos três meses.

"Segundo os últimos indicadores econômicos, o Brasil deve crescer entre 3,5% e 4% este ano, o que é uma boa notícia para Lula," disse Garman. "Portanto, a oposição deverá explorar a crise política, dizendo que os escândalos envolvendo o governo e o PT tornaram o governo ineficiente."

Sem maioria no Congresso

Garman disse também que "os mercados estão excessivamente otimistas com o Alckmin e excessivamente pessimistas com um segundo mandato de Lula."

"Se Lula ganhar, ele terá dificuldade em manobrar o PT para o centro do espectro político. E se o Alckmin ganhar, o PSDB deverá ter menos votos no Congresso do que durante o governo Fernando Henrique Cardoso."

De acordo com Garman, a falta de uma bancada majoritária no futuro governo deverá atravancar a agenda de reformas pró-mercado iniciadas no governo FHC e continuadas durante a primeira fase do governo Lula.

"Devemos prestar atenção ao PMDB, um partido com cerca de 180 deputados, e que para apoiar o governo sempre exige nacos polpudos da administração federal," disse.

Fator Garotinho

Apesar da subida do ex-governador carioca Anthony Garotinho (PMDB) na última pesquisa do instituto Datafolha, na qual apresentou 15% das intenções de voto, contra 20% para Alckmin e 40% para Lula, os analistas não acreditam que ele tenha chances de vencer as eleições.

"O eleitorado brasileiro está cada vez mais descrente em relação a candidatos populistas como o Garotinho," disse Barros. "Além disso, ele é visto como um político ineficiente e uma espécie de governador fantasma de sua esposa no Rio de Janeiro."

"O PMDB só apoiaria o Garotinho se ele de fato pudesse derrotar o Lula," disse Garman. "Mas em função do sistema de verticalização eleitoral brasileiro, sua candidatura tornou-se praticamente inviável," concluiu.

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