PORTO ALEGRE - Mesmo sem ter assumido formalmente sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inåcio Lula da Silva jå prepara uma segunda versão da "Carta ao Povo Brasileiro". Uma parte farå uma anålise do seu primeiro mandato. A outra, uma projeção sobre um eventual segundo governo.
Quem diz isso Ă© o ex-ministro da Educação Tarso Genro, que Ă© atualmente um dos principais interlocutores do presidente e jĂĄ foi convidado a assumir novamente um ministĂ©rio polĂtico quando ocorrer a reforma ministerial.
A primeira "Carta ao Povo Brasileiro" foi lançada em junho de 2002, quando o entĂŁo candidato Lula começava a intensificar sua participação na campanha presidencial. A carta gerou polĂȘmica, especialmente entre os petistas.
O documento --assinado pelo próprio Lula, que pregou a não-ruptura com o modelo de gestão econÎmica da época e prometeu a manutenção dos contratos firmados-- teve o objetivo de acalmar o mercado internacional e conter a alta do dólar durante a campanha eleitoral.
Agora, a segunda versão da carta é resultado de solicitação feita a Lula por PT, PSB e PC do B, partidos que compÔem a base aliada do governo no Congresso.
Lula concordou com a idéia e pediu que representantes dos partidos e do próprio governo jå comecem a pensar no documento, com representantes da sociedade civil. Um grupo ainda serå formado para sua elaboração.
Tarso disse que, além de uma visão para o futuro da administração petista, haverå um balanço do primeiro mandato. Para relacionar com o projeto de governo, serão destacadas, segundo o ex-ministro, a solidez macroeconÎmica e a credibilidade conquistada no mercado internacional.
"O governo deverĂĄ dar solidez ao crescimento econĂŽmico e mostrar que os sacrifĂcios mais duros jĂĄ foram feitos. Assim, 2006 serĂĄ o ano da colheita de todas as medidas tomadas", disse Tarso.
O deputado estadual AdĂŁo Villaverde (PT-RS), que assumiu o papel de "lĂder do governo federal" na AssemblĂ©ia Legislativa gaĂșcha no inĂcio do governo Lula e mantĂ©m forte ligação com Tarso, vai alĂ©m quanto ao conteĂșdo: ""A carta terĂĄ dois sentidos, pelo que tenho conversado com o prĂłprio Tarso. Em um balanço, mostrarĂĄ que o primeiro governo criou as condiçÔes para tirar o paĂs da ingovernabilidade. Em termos de projeto, pensarĂĄ o paĂs para alĂ©m dos prĂłximos quatro anos, com crescimento mĂ©dio entre 5% e 6%".
A carta, segundo Tarso, poderĂĄ começar a ser elaborada antes mesmo de Lula se definir pela candidatura Ă reeleição. ""Ele ainda vai se decidir sobre isso. Pediu a carta para examinĂĄ-la e definir se concorda ou nĂŁo com seu conteĂșdo", disse Tarso.
Tarso admitiu que jĂĄ foi convidado por Lula para ser ministro na nova equipe que se formarĂĄ a partir da saĂda dos candidatos a cargos eleitorais. Na segunda quinzena de março, ele vai a BrasĂlia para um encontro com o presidente, quando entĂŁo deverĂĄ ser definida a pasta.
"NĂŁo conversamos sobre qual ministĂ©rio ocuparei. Sei que serĂĄ ação polĂtica."
Tarso deixou o governo no auge do escĂąndalo do "mensalĂŁo" para ocupar interinamente a presidĂȘncia do PT. Derrotado internamente no seu projeto de "refundação" do partido, cedeu lugar a Ricardo Berzoini na chapa para as eleiçÔes de outubro passado do DiretĂłrio Nacional.
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