Deputado quer referendo sobre Convento das Mercês

Pedro Fernandes propõe que a população do Maranhão decida o destino do Convento das Mercês.

O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h33

Deputado quer referendo sobre convento

Pedro Fernandes propôs na Câmara Federal que a população do Maranhão decida o destino do Convento das Mercês

O deputado Pedro Fernandes (PTB) propôs ontem na Câmara Federal que o destino do Convento das Mercês seja decidido pela população do Maranhão por meio de um plebiscito ou mesmo de um referendo, caso seja aprovado o projeto que tramita na Assembléia Legislativa e transfere para o Governo do Estado a administração do convento, hoje feita pela Fundação José Sarney. “O povo do Maranhão tem o direito de decidir se quer ou não preservar o legado de um segmento crucial da história do Brasil”, discursou.

Pedro Fernandes disse que a sua preocupação com a conservação e a preservação do acervo doado pelo ex-presidente José Sarney são motivadas pelos graves problemas enfrentados pelo estado, o que poderia impossibilitá-lo de gerir à altura o acervo que ali se encontra. “Teria o estado do Maranhão, imerso em problemas econômicos, condições de administrar com competência uma edificação de tamanha importância e magnitude? Em todo o mundo, inclusive no Brasil, a evolução natural das leis e mecanismos que regem a economia e a sociedade aponta para as fundações, enquanto organismos mais competentes para gerir tal patrimônio. Museus, institutos, casas de cultura, memoriais, todos se rendem a essa necessidade”, observou.

Acervo

O deputado lembrou que, a exemplo de importantes centros de documentação e pesquisa criados por vários ex-presidentes dos Estados Unidos, o Convento das Mercês mantém um grande acervo de livros, documentos, iconografia, condecorações, filmoteca, obras de arte e numerosos outros objetos doados pelo senador e ex-presidente José Sarney.

“Trata-se de uma verdadeira mina de informações sobre período crucial da história da democracia brasileira, aberta a pesquisadores do nosso país e brasilianistas estrangeiros, e que já foi objeto da cobiça de várias instituições públicas e privadas, daqui ou do exterior, como a Fundação Biblioteca Nacional e centros de estudos brasileiros ligados a universidades e fundações norte-americanas e européias. Sarney, no entanto, optou por confiá-lo ao povo de sua terra, por meio de uma fundação em boa hora criada para esse fim”, disse.

Histórico

Em seu discurso, ele fez um histórico do Convento, fundado em 1654 por padres mercedários, e que hoje se constitui em um dos mais preciosos legados da era colonial em São Luís, resgatado nos anos 80 pelo projeto Reviver feito em parceria do Governo do Estado, então sob o comando de Epitácio Cafeteira, e pelo Governo Federal, sob o comando do presidente Sarney. E lamentou que a proposta de retirar a administração do Convento da Fundação e entregá-lo ao Governo do Estado seja claramente motivada por disputas políticas locais, colocando em risco a conservação e o destino daquele acervo.

“Não será com o revanchismo que se mudará para melhor nem se conservará o Convento das Mercês, hoje edificação vivente, em pleno funcionamento, orgulho dos maranhenses. Graças à revitalização do Centro Histórico e à iniciativa da Fundação, permitindo entrar em sintonia com o rico passado maranhense, onde o Convento das Mercês sempre desempenhou papel de destaque”, observou.

Em aparte, o deputado Gastão Vieira questionou o destino do acervo do Convento, caso o projeto seja aprovado.

“Em todo lugar se preserva a história e futuramente a memória de quem foi presidente da República. Não é política, é história; não é ódio, é reconhecimento de uma matéria imaterial.

São Luís completará 400 anos e espero que a cidade não faça seu aniversário com o Convento das Mercês fechado, porque acho que o Governo do Estado não tem condições de mantê-lo sem burocracia e dentro da flexibilidade que ele tem hoje”, declarou.

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