SÃO LUÍS - Com o aquecimento da superfície terrestre, ligado ao clima seco e a incidência maior de ventos na região norte do Maranhão, São Luís poderá ser atingida por chuvas de granizo ou ventanias até o fim da estação seca.
A informação foi prestada ontem pelo professor Gunter de Azevedo Reschke, chefe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).
Esta seria a segunda vez, em pouco mais de cinco anos, que aconteceria um fenômeno do gênero. A última ocasião em que São Luís presenciou uma chuva de granizo foi em agosto de 2000.
De acordo com o professor Gunter de Azevedo Reschke, as fortes chuvas ocorridas nas cidades de Viana, sexta-feira última, e em Rosário, segunda-feira, provavelmente foram provocadas por nuvens cúmulos-nimbo, ou de caráter convertível, ocasionada por frentes frias, de formação rápida, que podem causar pancadas de chuvas isoladas e de pouca duração. Algo que também pode ocorrer em São Luís.
“Esta é a principal hipótese, até porque não há nenhuma zona de convergência ou frente fria se deslocando para o Maranhão. Esse fenômeno é algo isolado, mas não descarto a possibilidade de ocorrer também na capital”, observou o chefe do Laboratório de Meteorologia da Uema.
As precipitações pluviométricas convertíveis são típicas das estações secas ocasionadas pelo forte calor durante o período, ligado à maior velocidade dos ventos. O calor acelera a evaporação de líquidos e facilita a circulação das massas de ar, que acabam chegando a patamares superiores aos normais.
“Com isso, aumenta-se o nível de nebulosidade e algumas nuvens estagnam a cerca de nove ou 10 mil metros de altura. Algumas chegam à 18 mil metros, onde a temperatura ambiente chega a 50° negativos. Com isso, as gotículas de água se congelam formando as nuvens de granizo”, explicou o professor Gunter de Azevedo Reschke.
Índices
O período seco, em São Luís, começou exatamente no mês de agosto, quando é esperado um índice de chuvas na média de 32 milímetros. Para efeito comparativo, o mês no qual há a maior quantidade de chuvas no ano é abril, com 473 milímetros – 15 vezes superior. No período chuvoso (de janeiro a junho), a média de chuvas chega a aproximadamente 337 mm. No período seco (de agosto a novembro), mal chega a 18,5mm. Nos meses intermediários, dezembro e julho, este índice é de 112 milímetros.
Com a cessão das influências da Zona de Convergência Intertropical e das Ondas de Leste, que se deslocaram para São Luís e causaram várias chuvas até julho, a velocidade dos ventos aumentou em cerca de 5 m/s nos últimos dois meses.
Durante o período chuvoso, os ventos tinham velocidade média de 7 m/s; agora, chegam a 12 ou 15 m/s, com picos de 26,9 m/s.
“A combinação de fatores, vento e clima, acabam formando as nuvens cúmulos-nimbo. E São Luís está propícia a este problema. Mas isso é fruto da degradação ambiental que vem ocorrendo na ilha, com a diminuição gradativa das áreas verdes na região. Por isso, a cidade está sujeita à transformações no clima cada vez maiores”, ratificou o chefe do Laboratório de Metereologia da Universidade Estadual do Maranhão.
Em comparação com outra cidade ao norte do Estado, Pinheiro, cujas alterações climáticas são menores que em São Luís, o município deve registar no período seco, velocidade de vento média de 3,6m/s, com picos de 17,5 m/s e o níveis pluviométricos similares ao da capital.
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