BRASÍLIA - O ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, presta depoimento ao Conselho de Ética da Câmara. Dirceu fala na condição de testemunha.
O relator do Conselho, Jairo Carneiro, lembrou a importância do Conselho e também a importância do depoimento de Dirceu para a elucidação de todas as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson.
Renúncia
O deputado José Dirceu (PT-SP) deixou claro, ao começar a depor no Conselho de Ética, que não vai renunciar a seu mandato. Dirceu enfatizou que está se apresentando como testemunha e que não há qualquer acusação formal contra ele, embora haja, em sua opinião, um pré-julgamento de sua conduta.
- Não vou renunciar ao meu mandato. Não teria condições de olhar nos olhos do presidente do Conselho, do relator, de todos os aqui, da minha geração de 68, dos meus companheiros de luta contra a ditadura, da militância do PT. Vou lutar pelo meu mandato. Só quero justiça - discursou Dirceu.
O ex-ministro disse que paga caro por seu posicionamento, citando o fato de ter colocado à disposição da CPI dos Correios a quebra de seus sigilos telêfonico, bancário e fiscal:
- Eu não tinha nem sido citado na CPI, exceto pelo deputado Roberto Jefferson. Não posso aceitar que eu seja pré-julgado, tratado como um chefe de quadrilha do maior esquema de corrupção do país, como operador do mensalão.
José Dirceu assinou um termo de compromisso de falar somente a verdade.
Vítima
Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado José Dirceu (PT-SP), disse que tem sido alvo de uma campanha em setores da mídia interessados em pré-julgá-lo. O ex-chefe da Casa Civil afirmou não exisitir acusação formal contra ele. Dirceu acrescentou que essa campanha não vai intimidá-lo e impedi-lo de se defender.
- Por que estou sendo acusado e tratado dessa forma no país? Pelo que fiz de errado? Por crimes de que participei? Por atos ilícitos, pela quebra de decoro? Claro que não, mas pelo que represento na História do país, pelo que represento para a esquerda, para o meu partido, o PT, e na eleição do presidente Lula. É isso que está sendo julgado - disse.
Dirceu citou os 40 anos de vida pública, iniciada em 1965, na luta contra o regime militar, e disse que jamais respondeu a um processo judicial. E garantiu que sempre se comportou de modo ético, mesmo na clandestinidade.
- Não há nada que pese contra a minha pessoa, mesmo quando vivi na clandestinidade - assegurou.
Luta
O deputado e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP), voltou a repudiar, na Comissão de Ética da Câmara, as acusações que têm sido feitas contra ele que, segundo o deputado, não estão baseadas em provas. No plenário da Comissão, onde depõe como testemunha no processo que apura quebra de decoro parlamentar pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Dirceu lembrou sua tragetória no PT, as passagens pelos mandatos como deputado e as três presidências do partido, para reafirmar que o PT é um partido pluralista e que não existe "grupo do Dirceu" na cúpula do partido.
- Não preciso de título de ministro para ser militante do PT. Não aceito ser banido da vida política do país. Vou continuar agindo para preservar o PT. Nós militantes reconhecemos erros e mudamos aquilo que foi errado. Este processo já iniciou e, ao contrário do que dizem, apoiei e continuarei apoiando a transição da presidência. E vou apoiar a nova direção, que saberá corrigir os possíveis erros que o PT cometeu.
E voltou a dizer que não pretende renunciar.
- Vou lutar até o fim para ter o direito de olhar no olho de cada militante do PT. Renunciar significaria aceitar as acusações feitas, sem provas.
Governo
Em seu discurso na abertura da sessão do Conselho de Ética da Câmara, o deputado José Dirceu (PT-SP) rechaçou denúncias ou insinuações de que o governo Lula tenha sido conivente com a corrupção.
- O governo Lula, do qual tenho orgulho e honra de ter participado não é um governo corrupto ou que permite corrupção. Estamos investigando - porque eu sou deputado e estou ajudando a investigar - as denúncias de corrupção que surgiram. O governo sempre tomou medidas contra corrupção, sempre atuou ao lado do Ministério Público. Eu disse e repito: esse é um governo que não rouba, não deixa roubar e combate a corrupção - afirmou Dirceu.
O ex-ministro da Casa Civil presta depoimento neste momento, como testemunha, no processo do Conselho de Ética da Câmara sobre falta de decoro parlamentar do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Dirceu defendeu a atuação do governo Lula, alegando que, apesar da crise política, o Brasil não está sem comando. O deputado também conclamou os políticos, especialmente da oposição, a não deixar que a crise prejudique o país.
- Não há no país, além da crise política que estamos enfrentando, futo de denúncias, não há outra crise. O país tem governo, que está governando. O país avança no desenvolvimento econômico e tem programas sociais importantes. Precisamos preservar a democracia, as instituições e a governabilidade. É direito da oposição disputar o poder, mas o país não pode colocar em risco os 20 anos de avanços democráticos que conquistou - afirmou.
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