Petrobras pode reduzir preços do gás de cozinha e da gasolina

Ramona Ordoñez - O Globo

Atualizada em 27/03/2022 às 15h21

RIO e NOVA YORK - A Petrobras poderá anunciar nos próximos dias uma redução nos preços dos principais combustíveis (gasolina, óleo diesel e GLP, o gás de cozinha residencial). Esta é, pelo menos, a expectativa de analistas do setor em razão da forte queda que vem ocorrendo nos preços do petróleo no mercado internacional, desde o início da guerra no Iraque, aliada à redução da cotação do dólar no país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria mantendo conversas freqüentes sobre o assunto com o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, dizem fontes próximas à empresa. O temor é de que algum fato novo na guerra provoque uma disparada nos preços.

Os preços da gasolina vendida no Brasil estão cerca de 14% mais altos do que os praticados no golfo americano, segundo Adriano Pires Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). Já o óleo diesel está cerca de 38% mais caro no país. Adriano Pires lembra que nos dois primeiros meses do ano, antes do início do conflito, os preços da Petrobras estiveram bastante defasados em relação aos internacionais, e mesmo assim a estatal não reajustou seus preços.

No início de fevereiro, a gasolina vendida no Brasil chegou a ter uma defasagem de 20%, e o diesel de 18%, em relação aos preços no mercado externo. Pelos cálculos de Adriano Pires, a estatal acumulou uma perda de US$ 1 bilhão nos dois primeiros meses do ano com a defasagem dos preços. Já o GLP residencial está cerca de 10% mais caro do que o produto no mercado internacional. O especialista Emerson Leite, do Crédit Suisse First Boston, acha que a Petrobras não deve reduzir seus preços agora.

— Não deve reduzir porque já arcou com prejuízos no ano passado, e agora no início do ano também — disse Leite.

Os preços do petróleo se mantiveram relativamente estáveis. A expectativa de um fim rápido da guerra fez os preços caírem, mas a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), marcada para o dia 24, para tentar conter a desvalorização do barril, inverteu a tendência de queda.

Os operadores temem novos cortes nas cotas de produção dos países do cartel. Em Londres, o barril do Brent (referência internacional) subiu 0,90%, para US$ 24. Em Nova York, o cru leve americano subiu 0,14%, a US$ 28. No mês passado, os preços do petróleo caíram cerca de 30% nos mercados internacionais.

A Opep controla 40% do volume total de petróleo produzido no mundo. O cartel elevou a produção pouco antes do início da guerra, para compensar possíveis cortes no fornecimento.

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