Estudos mostram que novo presidente não terá maioria no Congresso

Agência Câmara

Atualizada em 27/03/2022 às 15h30

A partir das próximas eleições, o Congresso Nacional deve ficar mais forte e independente em relação ao Governo. Isso porque nenhum dos candidatos à presidência da República deverá ser eleito com uma bancada parlamentar capaz de lhe assegurar maioria no Legislativo. É o que afirmam analistas que pesquisaram e comprovaram: os partidos de Oposição devem crescer cerca de 18%, enquanto a participação dos governistas deve diminuir, em média, 8%. O índice de renovação de mandatos, na Câmara, deverá ficar em torno de 40%.

Coincidem nessas previsões o Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).

IBEP

De acordo com o cientista político do Instituto, Luciano Dias, o futuro Congresso, em termos de composição política, terá uma cara parecida com a do atual, mas com um ligeiro avanço das forças do centro e da esquerda e uma redução proporcional dos partidos mais à direita. "É certo também que o futuro presidente, qualquer que seja, terá dificuldade para formar sua base parlamentar", prevê Dias.

O levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep) junto a consultores políticos nas 27 capitais indica que o PFL continuaria com a maior bancada, perdendo apenas um deputado. Já o PSDB, do presidente Fernando Henrique, teria uma das maiores baixas: passaria de 99 deputados para 84. O bloco governista, que além do PFL e PSDB inclui PMDB e PPB, ficaria com 320 deputados, 27 a menos do que nas eleições de 1998. Já a Oposição, que tem 112 cadeiras na Câmara, ficaria com 130. Se somar o PL e o PTB, a Oposição teria 183 deputados.

Segundo o Ibep, o crescimento da Oposição não vai garantir maioria parlamentar a nenhum dos candidatos oposicionistas caso cheguem à Presidência. Com um Congresso mais homogêneo, o novo governo vai ter mais trabalho para aprovar medidas de seu interesse.

Opinião semelhante tem o cientista político David Fleischer. Para ele, o futuro presidente não terá a mesma base parlamentar ampla com a qual contou Fernando Henrique.

INESC

A diretora do Instituto de Estudos Sócio Econômicos (Inesc), Iara Pietricovsky, que divulga amanhã um estudo sobre as eleições, também destaca que o próximo governo vai ter que buscar mais diálogo com o Legislativo, o que é positivo para o País.

Segundo os analistas, a Câmara deverá ter um dos índices mais baixos de renovação dos últimos dez anos. A média, que costuma ser de 40% a 45%, deve cair para 35%. Além disso, a maioria dos deputados que devem chegar em outubro à Câmara já exerceu mandato federal. Apenas 15% dos eleitos estarão pela primeira vez em Brasília.

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) também adianta que o futuro presidente terá que buscar coalizões, permanentes ou pontuais, para garantir a governabilidade.

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