Futebol vira cabo eleitoral na Política

Atualizada em 27/03/2022 às 15h30

No ano em que o Brasil conquistou o pentacampeonato mundial, candidatos pegam carona no futebol para garantir um gol de placa nessas eleições.

Dirigentes de clubes e entidades esportivas, além de candidatos à reeleição que participaram da CPI da Nike e da CPI do Futebol, usam a paixão pelo esporte mais popular do país para conseguir votos.

O caso mais notório é o do deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), presidente do Vasco, que declara abertamente defender "os interesses do Vasco".

Miranda cumpriu um mandato tumultuado nos últimos quatro anos, sendo acusado pela CPI da Nike, instaurada na Câmara dos Deputados em 2000, de desvio de recursos e outras fraudes, apesar de ele mesmo ser um dos integrantes da comissão.

O presidente do Vasco conseguiu se livrar da cassação e agora tenta a reeleição, buscando votos entre os torcedores do clube carioca.

"Ele fala em nome da torcida do Vasco", admitiu o assessor do dirigente.

Eurico Miranda é apenas um nome na extensa lista de dirigentes-candidatos, que inclui ainda Luciano Bivar (PSL-PE), presidente da Liga do Nordeste; José Mendonça Bezerra (PFL-PE), dirigente do Santa Cruz; Leomar Quintanilha (PPB-TO), presidente da Federação de Futebol do Tocantins; e Zezé Perrella (PFL-MG), presidente do Cruzeiro.

Perrella é deputado federal e agora concorre a uma vaga no Senado.

"O Cruzeiro me ajuda, sem dúvida nenhuma. Ajudou na primeira eleição, ajudará na segunda eleição, mas não pelo fato simplesmente de eu ser o presidente do Cruzeiro, mas pelo trabalho que fiz. Outros presidentes já se candidataram e perderam as eleições", disse.

O presidente da CPI da Nike, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que travou duras batalhas contra a chamada "bancada da bola", deputados ligados a clubes que participaram da CPI, disse que não é contra a candidatura de dirigentes de clubes a cargos políticos.

"O problema é como eles atuam, sem melhorar em nada o futebol e o esporte", comentou Rebelo.

O vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Nabi Abi Chedid (PSD), ex-presidente do Bragantino, também é candidato. Ele tenta neste ano chegar ao seu 11º mandato na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Para o jornalista Juca Kfouri, os dirigentes têm usado o futebol para se eleger, mas não têm servido bem ao esporte.

"São raríssimos os casos em que você possa dizer que os dirigentes fizeram bem à sociedade.

A relação entre política e futebol sempre foi uma coisa promíscua, nunca foi para o bem do futebol", comentou.

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