MIAMI – O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial de 2026, está organizando sua defesa em três investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) após deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos. O parlamentar deve solicitar asilo político ao governo de Donald Trump, sob a alegação de perseguição e violações de direitos no país.
Flávio constituiu uma equipe de advogados para atuar nos processos e tentar evitar novas medidas judiciais. Entre as estratégias está um pedido para retirar do ministro Alexandre de Moraes a relatoria da investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e transferir o caso ao ministro André Mendonça.
O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas. A viagem incluiu passagem pela Argentina e escala no Equador antes do desembarque em Miami, na Flórida.
A saída ocorreu após o STF determinar a entrega de seus passaportes às autoridades. Flávio não cumpriu a ordem e utilizou um passaporte italiano para viajar.
Flávio Bolsonaro enfrenta três investigações no STF
Os procedimentos judiciais envolvendo o senador tratam de suspeitas de lavagem de dinheiro, irregularidades no financiamento de uma produção cinematográfica e possível calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Uma das investigações envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O caso, sob relatoria de Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo empresas ligadas a Tomaz e plataformas de apostas.
Outro inquérito investiga possíveis irregularidades em pagamentos realizados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio passou a ser investigado nesse procedimento em julho, sob relatoria do ministro André Mendonça.
A terceira investigação trata de uma publicação feita pelo senador nas redes sociais em 3 de janeiro de 2026. Na mensagem, ele atribuiu a Lula envolvimento em crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O episódio é investigado como possível calúnia.
Defesa deve alegar perseguição política
Nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro deve apresentar um pedido de asilo político ao governo norte-americano.
A estratégia prevista é sustentar que o parlamentar enfrenta perseguição, ameaças e graves violações de direitos no Brasil.
Enquanto prepara o pedido, a equipe jurídica também trabalha nos processos em andamento no STF, especialmente na tentativa de modificar a relatoria da investigação relacionada às suspeitas de lavagem de dinheiro.
Encontro com Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro se encontrou com Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, ambos condenados pelo STF e residentes no país.
Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo. Como não constituiu advogado, sua defesa ficou sob responsabilidade da Defensoria Pública da União (DPU).
Ramagem recebeu pena de 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime fechado, além da perda do mandato parlamentar e do cargo de delegado da Polícia Federal.
Ele foi condenado por crimes relacionados à organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Em abril de 2026, Ramagem chegou a ser detido em Orlando por agentes de imigração norte-americanos devido a uma situação migratória irregular, mas foi liberado posteriormente.
Carta divulgada nos EUA provoca críticas
Durante a permanência nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro também divulgou uma carta que provocou desconforto entre aliados e partidos que apoiaram sua candidatura no segundo turno das eleições.
Na primeira versão, o senador se declarou "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Pouco depois, publicou uma nova versão do documento, retirando a afirmação e passando a se apresentar como "líder do Brasil".
A manifestação recebeu críticas do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que demonstrou insatisfação com o conteúdo durante uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um grupo de advogados também apresentou à Polícia Federal um pedido de investigação sobre a utilização do brasão da República no documento.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Luiz Inácio Lula da Silva reeleito após receber 64,2 milhões de votos no segundo turno, quase 4,5 milhões a mais que Flávio Bolsonaro.
O resultado foi reconhecido pela Justiça Eleitoral, por organismos internacionais e por partidos de oposição, incluindo o próprio PL.
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