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Copa do Mundo evidencia crises políticas além do futebol

Conflitos armados, instabilidade política e disputas geopolíticas marcam a realidade de seleções que disputam a Copa do Mundo

Maria Clara Basileu/Ipolítica

Copa do Mundo 2026 reúne seleções de países envolvidos em guerras, crises políticas e disputas geopolíticas. (Reprodução)

MUNDO – A abertura da Copa do Mundo 2026 acontece nesta quinta-feira (11) reunindo seleções de 48 países. Além da disputa pelo título, quase metade dos participantes chega ao torneio representando nações que enfrentam conflitos armados, crises políticas, disputas territoriais ou graves problemas de segurança pública.

Entre os cenários mais delicados está o Oriente Médio, onde o Irã vive uma escalada de tensões envolvendo Israel e os Estados Unidos. Outros países da região classificados para o Mundial, como Iraque, Catar, Jordânia e Arábia Saudita, também convivem com diferentes desafios políticos e geopolíticos.

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Conflito no Oriente Médio chega à Copa

O Irã vive um período de forte tensão regional marcado por confrontos e disputas geopolíticas envolvendo Israel e os Estados Unidos. Nos últimos anos, os atritos aumentaram após ataques a instalações públicas e militares iranianas atribuídos por Teerã a seus adversários regionais.

A resposta iraniana incluiu o lançamento de mísseis e drones contra Israel e bases americanas na região e ameaças de interromper o tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado no mundo.

O cenário também acabou afetando a seleção iraniana. As relações diplomáticas conturbadas e as restrições migratórias impostas pelos Estados Unidos geraram impasses sobre a entrada de integrantes da delegação no país-sede da competição.

Além do Irã, outros países do Oriente Médio presentes na Copa convivem com cenários de instabilidade. O Iraque ainda enfrenta desafios ligados à atuação de milícias armadas e disputas políticas internas, enquanto Jordânia, Catar e Arábia Saudita estão inseridos em uma região marcada por conflitos, rivalidades diplomáticas e disputas estratégicas.

Países enfrentam conflitos internos

O Haiti enfrenta uma situação de grande desordem interna gerada pelo fortalecimento de gangues armadas que ampliaram sua influência após o assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em 2021. A violência compromete o funcionamento das instituições públicas e afeta diretamente a rotina da população. Em razão da instabilidade, Sébastien Migné, técnico da seleção desde 2024, nunca esteve no país.

Já na República Democrática do Congo, a situação é marcada por um conflito armado no leste do território. A região é palco de confrontos entre forças governamentais e grupos rebeldes, especialmente o Movimento 23 de Março (M23), que ampliou sua atuação nos últimos anos.

A violência provocou milhares de mortes e o deslocamento de milhões de pessoas, tornando a crise uma das mais graves do continente africano.

Autoritarismo e restrições políticas

Além dos conflitos armados, algumas seleções classificadas representam países frequentemente citados em relatórios internacionais por restrições a direitos políticos e liberdades civis.

A Arábia Saudita é uma monarquia absoluta e concentra o poder político na família real. Organizações de direitos humanos apontam limitações à liberdade de expressão e à atuação da oposição política.

Situação semelhante é observada no Catar, que também possui um sistema político concentrado na figura do emir. O país ganhou atenção internacional durante a Copa do Mundo de 2022 por debates relacionados aos direitos de trabalhadores migrantes e à liberdade de expressão.

Egito, Tunísia, Turquia e Uzbequistão também aparecem com frequência em levantamentos internacionais que apontam restrições à imprensa, perseguição a opositores ou limitações à participação política.

Violência e crime organizado

Em outras regiões do planeta, o principal desafio não é a guerra, mas a violência associada ao crime organizado.

No México, cartéis do narcotráfico exercem influência em diversas regiões do país e estão envolvidos em disputas territoriais que afetam a segurança pública. Na Colômbia, grupos armados e organizações criminosas continuam atuando em áreas rurais, mesmo após o acordo de paz firmado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Equador também enfrenta uma escalada da violência ligada ao narcotráfico, enquanto a África do Sul convive com elevados índices de criminalidade, desigualdade social e dificuldades econômicas.

Tensões geopolíticas

A Copa também contará com seleções de países envolvidos em disputas territoriais ou tensões diplomáticas de longa duração.

Marrocos e Argélia mantêm divergências em torno do Saara Ocidental, território disputado há décadas e que influencia diretamente as relações entre os dois países.

A Coreia do Sul, por sua vez, vive sob tensão permanente com a Coreia do Norte. Embora os combates tenham terminado em 1953, nunca foi assinado um tratado de paz definitivo entre os dois países.

Já o Japão enfrenta desafios geopolíticos relacionados a disputas territoriais e ao aumento das tensões no leste asiático.

Crises políticas e polarização

Algumas seleções chegam à Copa do Mundo representando países que enfrentam crises institucionais ou forte polarização política.

A Venezuela vive uma prolongada crise política e econômica marcada por disputas em torno do sistema eleitoral e pela migração de milhões de cidadãos nos últimos anos.

Na Bósnia e Herzegovina, as divisões étnicas herdadas da guerra dos anos 1990 continuam influenciando a política nacional e dificultando consensos entre os diferentes grupos que compõem o país.

Os Estados Unidos, um dos anfitriões da Copa, também atravessam um período de intensa polarização política. Debates sobre imigração, eleições e papel das instituições públicas têm marcado o cenário político do país nos últimos anos.

Apesar das diferenças entre os conflitos e crises enfrentados por cada nação, a Copa do Mundo reunirá seleções que chegam ao torneio carregando desafios que vão muito além das quatro linhas do campo.

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