Facções

Lula tenta evitar que EUA classifiquem facções brasileiras como terroristas

Governo brasileiro teme que classificação defendida por aliados de Trump abra margem para ações mais duras dos EUA

Ipolítica, com informações do g1

Lula tenta evitar classificação de facções como terroristas (Foto: Divulgação)

WASHINGTON – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve discutir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas pelo governo norte-americano.

O encontro entre os dois líderes está marcado para quinta-feira (7), em Washington, e terá o combate ao crime organizado entre os principais temas da pauta.

Pressão dos Estados Unidos

A possibilidade de enquadrar facções como o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas vem sendo debatida pelo governo Trump desde o ano passado, dentro da política de combate ao narcotráfico adotada pela Casa Branca.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa norte-americana, integrantes do governo dos EUA defendem que organizações criminosas brasileiras recebam o mesmo tratamento dado a cartéis de drogas de outros países da América Latina.

Posição do governo brasileiro

Auxiliares de Lula afirmam que o governo brasileiro pretende reforçar, durante a reunião, que o combate ao crime organizado já é tratado como prioridade no país e que a cooperação internacional é o melhor caminho para enfrentar o problema.

A avaliação do Palácio do Planalto é que classificar facções brasileiras como terroristas poderia abrir margem para ações mais duras dos Estados Unidos no futuro, inclusive com possibilidade de intervenções sob justificativa de segurança internacional.

O que diz a legislação brasileira

O governo brasileiro sustenta que facções criminosas não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação nacional. A Lei Antiterrorismo brasileira estabelece que atos terroristas precisam ter motivação ideológica, política, religiosa ou ligada a discriminação.

Segundo o Ministério da Justiça, organizações como PCC e Comando Vermelho atuam principalmente com objetivo de lucro por meio do tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Debate internacional

Nos Estados Unidos, porém, a análise segue critérios próprios. O governo norte-americano pode considerar como terrorista uma organização estrangeira que represente ameaça à segurança nacional ou a cidadãos americanos.

Autoridades dos EUA afirmam que integrantes do PCC já foram identificados em território norte-americano, incluindo estados como Flórida, Nova York e Massachusetts.

Consequências da classificação

Caso as facções sejam oficialmente classificadas como organizações terroristas, a legislação americana passa a permitir sanções mais amplas contra pessoas e empresas ligadas aos grupos.

Entre as medidas possíveis estão bloqueio de bens, restrição financeira, proibição de apoio material e ampliação da cooperação internacional em ações de segurança.

Reunião entre Lula e Trump

O encontro em Washington ocorre em meio ao avanço das discussões sobre segurança pública e combate ao narcotráfico na América Latina.

Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, Brasil e Estados Unidos podem ampliar a cooperação contra o crime organizado transnacional, tema que deve ocupar parte importante da conversa entre os presidentes.

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