política internacional

Pressão dos EUA isola Cuba, leva México a suspender envio de petróleo e aproxima China de Havana

Suspensão do envio de petróleo pelo México ocorre após ameaças de Trump, enquanto China anuncia apoio político e assistência ao governo cubano.

Ipolítica, com informações de O Globo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

MUNDO - A pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, intensificada pelo presidente Donald Trump, começou a produzir efeitos diretos no cenário internacional. O México suspendeu o envio de petróleo à ilha, enquanto a China anunciou apoio político e assistência ao governo cubano diante do endurecimento das ameaças de Washington.

A decisão mexicana ocorre em meio ao agravamento da crise energética em Cuba e ao aumento do isolamento diplomático imposto pelos Estados Unidos.

México suspende envio de petróleo a Cuba

A estatal Pemex retirou de sua programação um carregamento de petróleo bruto que seria enviado a Cuba ainda neste mês, segundo documentos obtidos pela agência Bloomberg. O embarque estava previsto para meados de janeiro e seria transportado pelo navio Swift Galaxy.

Nem a Pemex nem o Ministério de Energia do México comentaram oficialmente o motivo da suspensão. A medida, porém, ocorre após declarações recentes de Trump, que afirmou que “não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba”, pressionando Havana a aceitar um acordo ainda não detalhado.

Antes disso, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum havia declarado que o país manteria o fornecimento de petróleo como ajuda humanitária, diante da crise enfrentada pela ilha.

Crise energética e dependência externa

Cuba enfrenta um cenário prolongado de dificuldades, marcado por:

  • apagões frequentes;
  • escassez de alimentos;
  • falta de combustível.

O México passou a enviar petróleo ao país em 2023, após a Venezuela — principal aliada de Havana — reduzir suas exportações em razão da queda na produção. Em 2025, a Pemex despachava, em média, um navio por mês, o equivalente a cerca de 20 mil barris diários de petróleo bruto.

China reage e anuncia apoio a Havana

Enquanto o México recua, a China se aproxima de Cuba. Nesta terça-feira (27), o governo chinês declarou que seguirá oferecendo “apoio e assistência” ao país caribenho.

Durante entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que Pequim vê com preocupação as ações dos Estados Unidos.

A China expressa sua profunda preocupação e oposição às ações dos Estados Unidos em relação a Cuba”, declarou.

Segundo ele, as pressões norte-americanas “comprometem a paz e a estabilidade regionais”. O porta-voz também pediu o fim imediato do bloqueio e das sanções impostas à ilha.

Escalada de tensões com Washington

Em Havana, o presidente Miguel Díaz-Canel reagiu às ameaças americanas defendendo a preparação militar do país como forma de dissuasão diante de uma possível agressão dos Estados Unidos.

Trump elevou o tom contra Cuba após a operação em Caracas, no início de janeiro, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado estratégico do governo cubano. Durante a ação, 32 militares cubanos morreram, alguns ligados à segurança do líder venezuelano.

Na semana passada, o site norte-americano Politico informou que o governo dos EUA avalia a possibilidade de um bloqueio naval para impedir todas as importações de petróleo destinadas a Cuba.

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