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É economista com experiência nacional e internacional em análises macroeconômicas e microeconômicas. Possui habilidade em análises setoriais, gestão do capital humano, orçamentos e finanças.
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A importância do Grupo Mateus no Impulso do Agronegócio

Estes insights não se baseiam em meras opiniões, mas em análises de evidências e estudos técnicos rigorosos realizados por nossa consultoria, a Control Risk Analytics, ao longo dos últimos dois anos.

Wagner Matos

Estes insights não se baseiam em meras opiniões, mas em análises de evidências e estudos técnicos rigorosos realizados por nossa consultoria, a Control Risk Analytics, ao longo dos últimos dois anos. (Foto: Reprodução)

Oi, pessoal! Retomando as reflexões surgidas em recentes conversas com investidores, empresários e formuladores de políticas públicas, destaco hoje um setor com enorme potencial de transformação socioeconômica para o Maranhão. Estes insights não se baseiam em meras opiniões, mas em análises de evidências e estudos técnicos rigorosos realizados por nossa consultoria, a Control Risk Analytics, ao longo dos últimos dois anos.

Nosso foco tem sido mapear cenários concretos que subsidiem e direcionem a tomada de decisão do setor produtivo. Como já mencionei em outras oportunidades, trago uma sólida bagagem no setor varejista, consolidada durante minha atuação no Grupo Pão de Açúcar (GPA), o que me motiva a acompanhar de perto os resultados trimestrais dos gigantes do segmento no país. Para termos dimensão desse mercado, basta observar o recente ranking da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) referente a 2025. As dez maiores redes de alimentos faturaram, juntas, a impressionante cifra de R$ 361,6 bilhões. O pelotão de frente é liderado pelo Grupo Carrefour Brasil (SP), com R$ 123,59 bilhões, e Assaí Atacadista (SP/RJ), com R$ 84,73 bilhões. O maranhense Grupo Mateus ocupa a terceira colocação, com R$ 43,55 bilhões, seguido de perto por outras grandes redes, como Supermercados BH (MG), Grupo Pão de açúcar (SP) e Irmãos Muffato (PR).

Como o foco é regional, a nossa análise se debruça justamente sobre o Grupo Mateus. Dominando o mercado do Nordeste, a empresa possui sua maior concentração de lojas no Maranhão, totalizando 92 unidades. É exatamente aqui que nossa consultoria enxerga uma janela de oportunidade estratégica e altamente relevante para a expansão da agroindústria de alimentos local voltada ao abastecimento supermercadistas.

Atualmente, uma parte substancial do mix de produtos comercializado nas lojas, incluindo itens da cesta básica, hortifrúti, laticínios e proteínas (carne bovina, suína, frango, ovos e pescados), é importada de outros estados. Embora o setor agropecuário maranhense tenha registrado um expressivo crescimento de 19,2% em 2025, dados do IMESC, nossa base de produtores e beneficiadores locais focados nesse abastecimento interno contínuo ainda é estruturalmente insuficiente. O resultado prático disso é a "fuga de capitais", uma parcela enorme da renda que o consumidor maranhense gasta nas lojas locais é transferida para outras unidades da federação na aquisição dessas mercadorias. Em vez de gerar empregos, renda e arrecadação de impostos dentro do nosso estado, financiamos o desenvolvimento alheio.

Nesse contexto, o poder público e a iniciativa privada possuem plenas condições de formular um planejamento estratégico conjunto para internalizar e suprir essa cadeia de suprimentos. É seguro afirmar que grandes varejistas, como o Grupo Mateus, teriam total interesse em apoiar a iniciativa. Afinal, a produção local reduziria drasticamente os custos logísticos, reteria os recursos financeiros que hoje migram para fora, permitiria a prática de preços mais competitivos para o consumidor final e atuaria como um poderoso impulsionador de desenvolvimento socioeconômico regional.

Se a solução parece lógica e vantajosa, por que ainda não se materializou na velocidade necessária? Identificamos que o grande gargalo reside na complexidade do ecossistema institucional agropecuário maranhense. A jornada do produtor e do investidor passa por um labirinto que envolve as secretarias estaduais, como a Sagrima, Saf, Agerp, Aged, Iterma e Investe Maranhão. Cada um desses órgãos possui normas, regulamentações, exigências de licenciamento e legislações próprias. O percurso burocrático até a execução de um projeto é longo e cansativo. Quando comparamos nossos processos aos adotados em estados vizinhos, o Maranhão frequentemente larga em desvantagem na atração desses aportes.

É notável que o estado tenha alcançado o 3º lugar nacional em solidez fiscal no Ranking de Competitividade dos Estados 2026 (CLP), evidenciando uma boa administração das próprias contas públicas. No entanto, o pilar da eficiência da máquina pública e da simplificação institucional ainda precisa de avanços mais incisivos para destravar o ambiente de negócios de quem quer investir.

 Em resumo, o Maranhão não pode mais se dar ao luxo de perder investimentos produtivos por conta de entraves administrativos. Para reverter esse cenário e capturar a riqueza gerada pelo nosso próprio mercado consumidor, é urgente promover uma desburocratização inteligente. Precisamos simplificar e integrar as análises de viabilidade e o licenciamento de projetos privados, criando um "caminho expresso" para a agroindústria alimentar. Somente alinhando a eficiência governamental ao enorme apetite comercial do varejo conseguiremos transformar potencial em realidade, garantindo que o dinheiro do maranhense fique no Maranhão, multiplicando empregos e prosperidade de forma sustentável.


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