condições precárias

15 maranhenses são resgatados após ficarem sem água, alimentação e pagamento no Ceará

Grupo de 15 trabalhadores da construção civil relatou falta de pagamento, ameaças e moradia sem água e alimentação no Ceará.

Imirante.com

Atualizada em 23/07/2026 às 13h57
Trabalhadores não tinham acesso a água encanada. (Divulgação/STICCRMF)

CEARÁ - Quinze trabalhadores maranhenses foram resgatados de condições precárias em um canteiro de obras no município de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE). O grupo, formado por trabalhadores da construção civil, foi encontrado vivendo em uma residência sem água encanada, alimentação adequada e estrutura mínima, além de estar há cerca de 20 dias sem receber salários.

O resgate foi realizado na última terça-feira (21) pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), após uma denúncia feita por uma das vítimas.

Segundo o presidente do sindicato, Nestor Bezerra, os trabalhadores deixaram o Maranhão após receberem uma proposta de emprego que incluía salário e moradia. Ao chegarem ao Ceará, no entanto, encontraram uma realidade diferente da prometida.

"Nós nos deparamos com os trabalhadores em uma situação bem degradante mesmo. Era uma casa sem nada, nem água nem fogão. Só as redes deles e as mochilas no chão. Nove desses 15 estavam desesperados porque tinham sido ameaçados [pelo encarregado das obras]. Diziam que iam botar facção para matar eles. Estavam desesperados", relatou.

Trabalhadores relatam fome e ameaças

Moradia dos trabalhadores estava em situação precária. (Divulgação/STICCRMF)

De acordo com o sindicato, os homens, com idade média de 30 anos, atuavam em um empreendimento no município de Maranguape. A empresa responsável pela obra teria contratado um empreiteiro para administrar os serviços, apontado como responsável pelas condições enfrentadas pelos trabalhadores.

Segundo o relato das vítimas, a casa disponibilizada para moradia não possuía água potável, móveis ou estrutura básica. Os trabalhadores dormiam em redes espalhadas pelos cômodos e enfrentavam dificuldades para manter contato com os familiares, já que compartilhavam poucos aparelhos celulares e não tinham acesso à internet.

As refeições também eram insuficientes. Conforme o presidente do sindicato, o empreiteiro condicionava a alimentação ao comparecimento ao trabalho.

"Segundo o presidente da STICCRMF, as refeições eram fornecidas pelo empreiteiro da obra, mas o homem dizia que 'só comeria quem fosse trabalhar'. Passaram a última terça-feira sem comer", afirmou.

Após o resgate, o grupo foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Maranguape para registrar um boletim de ocorrência. A Polícia Civil do Ceará informou que apura as circunstâncias do caso.

Os trabalhadores estão em local seguro e aguardam o pagamento das verbas rescisórias e o transporte de volta ao Maranhão. Segundo o sindicato, a empresa informou que faria o pagamento e providenciaria o retorno dos funcionários.

Segundo caso em menos de uma semana

Este é o segundo caso envolvendo trabalhadores maranhenses resgatados em situação degradante divulgado em menos de uma semana.

Na última sexta-feira (17), a Auditoria-Fiscal do Trabalho informou o resgate de 35 trabalhadores, a maioria oriunda de municípios maranhenses, que viviam em condições análogas à escravidão em uma fazenda produtora de grãos localizada na zona rural de Santa Filomena, no Piauí.

A operação foi realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).

Durante a fiscalização, foram encontradas diversas irregularidades. A água destinada ao consumo dos trabalhadores era armazenada em um bebedouro onde os fiscais encontraram rãs, incluindo um animal morto, além de material com aparência de fezes.

Os alojamentos também apresentavam problemas estruturais, com quartos pequenos, sem ventilação adequada, ausência de roupas de cama e falta de camas suficientes, obrigando parte dos trabalhadores a dormir em colchões colocados diretamente no chão.

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