MARANHÃO - O Maranhão registrou, em dezembro de 2025, um total de 675 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 242,9 mil vínculos empregatícios. Apesar do avanço na participação feminina no mercado formal, a desigualdade salarial no Maranhão entre homens e mulheres ainda permanece significativa.
Os dados fazem parte do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado nesta segunda-feira (27) pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres, juntamente com o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial.
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Participação feminina cresce, com destaque para mulheres negras
Do total de empregos nas grandes empresas no estado:
- 95,2 mil vagas são ocupadas por mulheres
- 77,3 mil por mulheres negras (81,2%)
- 17,8 mil por mulheres não negras (18,7%)
- 147,7 mil vagas são ocupadas por homens
- 125,7 mil por homens negros (85,1%)
- 21,9 mil por homens não negros (14,8%)
O levantamento nacional aponta crescimento expressivo na presença feminina, especialmente entre mulheres negras, que tiveram aumento de 29% nas contratações entre 2023 e 2025, somando mais de 1 milhão de novos empregos formais no país.
Desigualdade salarial no Maranhão ainda é expressiva
Apesar do avanço no emprego, a desigualdade salarial no Maranhão segue evidente. Em dezembro de 2025, a remuneração média foi:
- Mulheres: R$ 2.771,59
- Homens: R$ 3.314,80
Quando analisado por raça:
- Mulheres negras: R$ 2.555,93
- Mulheres não negras: R$ 3.756,69
- Homens negros: R$ 3.084,42
- Homens não negros: R$ 4.705,32
Os dados mostram que mulheres negras continuam sendo o grupo com menor rendimento médio no estado.
Diferença salarial também cresce no cenário nacional
No Brasil, o relatório aponta que as mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que os homens em 2025, índice superior ao registrado em 2023 (20,7%).
Além disso, no momento da admissão:
- Mulheres recebem cerca de 14,3% a menos que homens
- Em 2023, essa diferença era de 13,7%
Políticas de incentivo ainda são limitadas
O relatório também mostra que parte das empresas já adota políticas de inclusão, mas os números ainda são considerados baixos no Maranhão:
- 24,5% dos estabelecimentos têm políticas de incentivo à contratação de mulheres
- 17,8% incentivam a contratação de mulheres negras
- 14,2% de mulheres com deficiência
- 12,6% de mulheres LGBTQIAP+
- 3,4% de mulheres vítimas de violência doméstica
Governo destaca necessidade de avanço
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a igualdade vai além do salário.
“Não estamos falando apenas do valor do salário, mas das condições de trabalho, dos direitos e das oportunidades que muitas vezes não são garantidos”, afirmou.
Já o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou a importância da ascensão profissional feminina:
“A igualdade precisa avançar também na valorização das mulheres nas carreiras e nos cargos de liderança.”
Igualdade salarial pode impulsionar economia
O relatório aponta que a equiparação salarial teria impacto direto na economia. Para igualar os rendimentos das mulheres à sua participação no mercado formal (41,4%), seria necessário ampliar em R$ 95,5 bilhões por ano a massa salarial feminina no país.
Esse ajuste elevaria em mais de 10% a renda total do Brasil, contribuindo para crescimento econômico e melhor distribuição de renda.
Presença feminina cresce em cargos de liderança
O estudo também identificou avanços:
- Crescimento de 12% no número de empresas com mulheres em cargos de liderança
- Total de 13,7 mil estabelecimentos com presença feminina em posições de gerência e direção
Além disso, aumentou o número de empresas que adotam políticas de promoção interna e apoio à parentalidade, indicando maior atenção à permanência e ascensão das mulheres no mercado de trabalho.
Crescimento do emprego formal no país
Entre 2023 e 2025:
- O número de empresas com 100 ou mais empregados cresceu 5,5%
- O total de empregos subiu 7%, chegando a 19,3 milhões
Os dados são baseados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e reforçam que, apesar do crescimento do emprego, a desigualdade salarial no Maranhão e no Brasil ainda é um desafio a ser superado.
Saiba Mais
- MPEs respondem por quase 80% do saldo de empregos no Brasil desde 2023
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