SÃO LUÍS - Depoimento prestado pelo ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) à ministra Eliana Calmon, ao qual O Estado teve acesso, mostra que suas declarações são totalmente contraditórias com a versão oficial do Ministério dos Transportes, através do DNIT, para a construção das quatro pontes na região dos Lençóis Maranhenses que fariam parte da obra da BR-402, ligando Barreirinhas (MA) a Parnaíba (PI).
O ex-governador declarou que as pontes foram construídas como espécie de "contrapartida na qual o estado arcaria com os recursos da parte de pavimentação". Reportagem de O Estado publicada mês passado mostrou que as pontes foram construídas antes da assinatura do convênio com o ministério.
Uma delas, a sobre o riacho Barro Duro, foi paga antes de ser construída. As pontes foram feitas ainda fora do roteiro da estrada. Por causa dessas irregularidades, o ministério cancelou o convênio com o Governo do Maranhão e agora procura responsabilizar os culpados pelos problemas.
Questionado no depoimento, José Reinaldo disse não saber de possíveis problemas nas medições das pontes acarretando em favorecimento de recursos à Gautama. "Que desconhece ter havido problema na medição das obras relacionadas com as pontes; que o secretário Ney Bello não comunicou ao depoente, então governador do Estado, se por acaso ocorreram os problemas de medição (...) mas acha que se ocorreu esse problema facilmente poderia ser solucionado com um aditivo; que, entretanto, não sabe como foi solucionado o problema, apenas supõe que tenha sido por aditivo".
José Reinaldo tentou explicar a compra do Citröen C5, avaliado em R$ 110 mil, que, segundo a Polícia Federal, ele ganhou de presente de Zuleido Veras, dono da Gautama. Disse que comprou o carro com dinheiro em espécie, sendo que seu ex-assessor Geraldo Magela deu um cheque de R$ 10 mil para garantir o negócio feito numa concessionária de Brasília. O cheque nem chegou a ser descontado.
O ex-governador afirmou possuir conta bancária, mas gosta mesmo de pagar suas contas com dinheiro vivo. Ele declarou que o carro está em sua declaração de bens de 2006 e o dinheiro declarado no imposto de renda de 2005.
"Que o dinheiro em espécie pertencente ao depoente (José Reinaldo) estava em Brasília e foi levado a Citröen por alguma pessoa a seu mando, não lembra, talvez um de seus filhos", relata o ex-governador no depoimento prestado no dia 21 de maio.
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