SÃO LUÍS - O ex-governador José Reinaldo Tavares deixou por volta das 16h30 desta quinta-feira, o prédio da Superintendência de Polícia Federal, localizado no bairro do Anil.
O ex-governador embarcou por volta das 17h, com destino à Brasília, acompanhado de agentes da Polícia Federal. José Reinaldo prestará depoimento sobre a acusação de participar de um esquema de fraudes de licitação e desvios de recursos públicos federais utilizados em estradas fantasmas.
Prisão
O ex-governador José Reinaldo Tavares estava dormindo quando os policiais federais chegaram ao seu apartamento, no edifício Cidade do Porto, no Calhau. Eram 6 da manhã. Quem atendeu os agentes – eram quatro – foi a mulher do governador, Ana Karla Silvestre. Ela pediu a apresentação do Mandado de Prisão contra o marido, e houve bate-boca com os policiais.
José Reinaldo foi então acordado, vestiu calça jeans e camisa de mangas curtas. Antes de seguir com os policiais, falou: “preciso tomar café”, o que lhe foi permitido. O ex-governador seguiu direto para a Superintendência da Polícia Federal no carro da polícia. Ana Karla seguiu em seu próprio carro. Por volta das 7h30, onde permaneceu até às 16h30.
Além da prisão de José Reinaldo, os policiais vasculharam o escritório do secretário de infra-estrutura, Ney Bello, que também já foi preso e levado para a sede da PF, em São Luís. Em Brasília, foi detido o advogado Alexandre Lago, que já estaria na sede da PF na capital federal. Foram presos ainda: Vicente Vasconcelos Coni, Francisco de Paula Lima Júnior, Roberto Figueiredo Guimarães, Sebastião José Pinheiro Franco, José de Ribamar Ribeiro Hortegal. Todos acusados por fraudes no Maranhão.
Operação Navalha
A operação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira para desarticular uma organização criminosa que atuava desviando recursos públicos federais e é realizada nos Estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, São Paulo e no Distrito Federal.
A ministra Eliana Calmon, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), expediu mais de 40 mandados de prisão preventiva e 84 de busca e apreensão, entre as quais a do ex-governador do Maranhão.
Segundo a PF, a empresa Gautama, em Salvador (BA), operava a organização criminosa infiltrada no governo federal e em governos estaduais e municipais.
O objetivo da quadrilha, de acordo com a Polícia Federal, era a obtenção de lucros através da execução de obras públicas, organizada e estruturada para a prática de variados delitos, como fraudes em licitações, corrupção passiva e ativa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
Jackson Lago
A investigação da Polícia Federal (PF) que desmontou um esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos federais destinados a obras públicas aponta indícios de envolvimento do governador do Maranhão Jackson Lago (PDT).
No relatório em que a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determina a deflagração da Operação Navalha, o nome do governador é citado pelo menos dez vezes.
Entre os 46 presos pela operação até agora estão dois sobrinhos de Lago.
A assessoria do governador informou que ele ainda não se manifestará porque não tem conhecimento da denúncia.
Segundo a PF, o esquema de desvio de recursos públicos operava por meio da empresa Gautama, com sede na Bahia. Diretores e funcionários dessa empresa que, de acordo com as investigações, pertenceriam ao nível mais alto da organização, também foram presos.
Mas boa parte das fraudes, segundo a investigação, acontecia no Maranhão. Um indício é que, no norte do estado, quatro pontes teriam sido construídas parcialmente para desviar verbas.
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