Deputado diz que governo foi omisso no caso dos morcegos

César Pires aponta omissão do Governo do Estado durante debate em Plenário.

Jornal O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h34

SÃO LUÍS - O líder do Bloco Independente, César Pires (PFL), e os deputados Afonso Manoel (PSB), Manoel Ribeiro (PTB) e Antônio Bacelar (PDT) fizeram ontem um intenso debate no plenário da Assembléia Legislativa sobre a incidência de morcegos hematófagos contaminados por raiva que está assolando a região do Gurupi, no Maranhão.

Até agora, 23 pessoas já morreram por ataques de morcegos. Somente ontem o governador José Reinaldo foi ao município de Turiaçu, área mais atingida.

Para César Pires, que é veterinário, o problema ocorre, entre outros fatores, pela omissão do Governo do Estado desde que surgiram os primeiros focos, ainda no ano passado.

“O problema é antigo. E eu desafio o governo José Reinaldo a apontar qualquer medida de prevenção que ele possa ter tomado”, afirmou o líder do BPI. Ele aponta a série de medidas que deveriam ser tomadas para evitar a epidemia na região do Gurupi.

“O Maranhão não criou uma barreira sanitária e nem fez o controle epidemiológico quando surgiram os focos da raiva entre os morcegos hematófagos”, explicou. “Não adianta agora querer culpar terceiros ou a própria natureza pelo problema que poderia ter sido resolvido lá atrás”, acrescentou ele.

Para o deputado do PFL, bastaria que o governo fizesse a apreensão dos morcegos para detectar aqueles que estivessem com o vírus da raiva. “A partir daí, se faria o controle epidemiológico e se montaria o sistema preventivo, com a vacina e a orientação à população”, disse.

Além disso, explicou Pires, os hospitais da região precisariam ser dotados de medicamentos e substâncias que servissem como antídoto para a mordida dos morcegos contaminados. “Nenhuma dessas medidas foi tomada, nem pelo governo nem pela Secretaria de Saúde. E eu os desafio a provar o contrário”, declarou o líder parlamentar.

Ataques

De volta ao plenário como membro da bancada governista, Afonso Manoel criticou a passividade do prefeito de Turiaçu, Umbelino Ribeiro, e tentou defender o governo e a própria mulher, Helena Duailibe, que é secretaria de Saúde. “A secretária de Saúde saiu de São Luís, às 5h da manhã de sexta-feira, e o prefeito, em vez de estar lá, estava em São Luís, dando entrevistas sobre outros assuntos”, ponderou.

Irritado diante da posição crítica de César Pires e dos demais deputados com relação ao governo estadual, Afonso Manoel chegou a ser agressivo. Ele também insistiu nos ataques ao prefeito de Turiaçu.

O deputado Manoel Ribeiro preferiu discutir o assunto do ponto de vista ambiental. Para ele, há explicações geográficas, ecológicas e climáticas para o ataque dos morcegos. Ele também defendeu o estudo do assunto por especialistas, como fez o governo do Pará. Na região do estado vizinho, foram feitos estudos por técnicos da Universidade de São Paulo. “Nem todos os morcegos estão contaminados. O que é preciso é um estudo que possa definir como agir para evitar o ataque em pessoas, nas cidades”, frisou.

Na mesma linha foi o deputado Antônio Bacelar. Em entrevista após a sessão, ele revelou ter estado dia 30 do mês passado na região atacada pelos morcegos. “É uma questão antiga. Em 1982, trabalhando na região de Carutapera, Turiaçu e Cândido Mendes, o Ministério de Minas e Energia detectou manifestação de morcegos desse tipo. E houve mortes naquela época”, explicou Bacelar, que é geólogo do ministério.

Segundo o deputado, a região tem cavernas com formação de estalactites, além de reentrâncias, campos e pastos, que são habitat natural para morcegos. “Precisamos de um trabalho conjunto. Nessas endemias, temos que encontrar as saídas conjuntamente”, concluiu Bacelar.

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