SÃO LUÍS - Os parlamentares maranhenses querem que o governo federal impeça a venda da distribuidora estatal Cemar e a entregue à Eletrobrás, companhia de energia elétrica federal.
"Existe apoio unânime da bancada do Maranhão à federalização da Cemar, independente de filiação a partido", disse o deputado federal do PT Washington Luiz.
O governo federal interveio na Cemar depois que ex-controladora acionária, a empresa americana PPL International, anunciou planos de pedir a falência da Cemar depois de um processo de venda fracassado.
A Aneel, agência reguladora do setor elétrico, qualificou uma empresa para a venda da Cemar, a SVM Participações, financiada pelo grupo de investimentos brasileiro GP Investimentos. A SVM deve apresentar nesta sexta-feira, 25, sua proposta para assumir o controle da Cemar e reprogramar o pagamentos da dívida de R$800 milhões.
Os parlamentares do Maranhão escreveram ao chefe de gabinete da presidência, José Dirceu e à ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, mas ainda não obtiveram resposta, disse Luiz, que espera fazer um discurso sobre a Cemar esta semana na Câmara Federal.
Ele também pediu uma investigação do período em que a PPL estava na administração, que ele diz ter sido "criminoso com relação ao pessoal da Cemar".
Argumentou-se que a campanha eleitoral do PT incluiu a possibilidade de mais privatizações, mas Fernando Pereira, presidente do sindicato de trabalhadores em empresas públicas de serviços, Stiu-MA, discorda veementemente.
"Eu desafio qualquer um dizer que a proposta eleitoral do governo indica a privatização: , disse Pereira. "Muito pelo contrário; ela diz que em alguns casos a privatização seria re-estudada."
O sindicato está preocupado com a SVM estar buscando lucros de curto prazo e de que a qualidade dos serviços vá deteriorar, contradizendo o plano do governo federal de estender os serviços de energia elétrica e melhorias sociais, ele disse.
"A lógica do mercado são retornos rápidos", ele disse. "Se ela for re-privatizada, teremos tarifas mais altas, serviços terríveis, tudo o que já tínhamos durante a administração da PPL", disse Pereira.
Mais de um milhão de pessoas, ou 20% da população do Maranhão, não têm acesso à energia elétrica, ele disse.
O sindicato quer que o governo converta suas dívidas em participação na Cemar, retomando a participação no controle e operando a empresa junto com a força de trabalho, ele explicou.
"Acreditamos que a Eletrobrás é capaz de absorver a Cemar. A companhia é operacionalmente viável, as receitas atuais dão para pagar salários e despesas, bem como para fazer investimentos", ele disse.
Uma porta-voz do Ministério das Minas e Energia não quis comentar o assunto, e uma porta-voz da GP Investimentos confirmou que o grupo está por trás da SVM, mas não quis fazer mais comentários.
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