INOVAÇÃO MARANHENSE

Jovem de Imperatriz viraliza após criar pele sintética para tratar queimaduras e ganhar destaque no EUA

Projeto da jovem cientista foi apresentado em feira internacional nos EUA e busca oferecer alternativa mais acessível a pacientes.

Hudson Souza/Imirante.com

Jovem criou novo tratamento ainda no ensino médio. (Foto: Reprodução/Acervo pessoal)

IMPERATRIZ – A jovem cientista imperatrizense Sofia Mota Nunes viralizou após ser reconhecida internacionalmente nos Estados Unidos, em 2025, após desenvolver uma pele sintética de baixo custo para auxiliar no tratamento de queimaduras. 

A invenção foi apresentada na Regeneron International Science and Engineering Fair (Isef), uma das principais feiras de ciência e engenharia para estudantes pré-universitários do mundo, e viralizou nas redes recentemente.

Sofia integrou um grupo de 13 estudantes finalistas da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia Liberato (Mostratec-Liberato), realizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. A delegação participou da feira em Ohio, nos Estados Unidos.

Evento nos Estados Unidos aconteceu em maio de 2025. (Foto: Reprodução/Acervo pessoal)

A Regeneron Isef reúne, todos os anos, jovens talentos de cerca de 60 países. Na edição de 2025, os participantes disputaram prêmios que somaram cerca de US$ 9 milhões, entre bolsas de estudo, estágios e viagens de campo.

Jovem teve ideia ao observar limitações dos tratamentos

Em entrevista ao Imirante, Sofia contou que começou a pensar no projeto quando tinha 15 anos, enquanto fazia o 1º ano do ensino médio, ao perceber dificuldades enfrentadas por pacientes com queimaduras. Segundo ela, os tratamentos usados atualmente ainda apresentam limitações, riscos e custos elevados.

“Eu percebi que os tratamentos que são utilizados atualmente apresentem muitas limitações e riscos, tanto que foi observando isso que a proposta do projeto surgiu”, afirmou a cientista.

A estudante também relatou que já tinha presenciado casos graves de queimaduras e percebeu o impacto dessas lesões na vida dos pacientes. 

“A ideia em si surgiu tanto porque eu já tinha consciência e já presenciei alguns casos extremos de pacientes com queimaduras, e via que essas lesões afetavam muito tanto a parte física quanto a psicológica deles e eu tinha na minha cabeça que essa pele sintética poderia ajudar essas pessoas a se recuperarem”, lembrou.

Óleo de buriti inspirou pesquisa de jovem cientista

Além do interesse pela área da saúde e pelo desenvolvimento de novos produtos em laboratório, Sofia buscou inspiração em um elemento comum na região tocantina: o óleo de buriti. Em Imperatriz, segundo a jovem, o produto já é usado popularmente no cuidado de queimaduras.

Pele sintética é mais barata e tem menor risco de rejeição. (Foto: Reprodução/Acervo pessoal)

“Além disso eu sempre tive muito interesse na área da saúde e de pesquisas que envolvessem o laboratório e desenvolvimento de novos produtos, aqui em Imperatriz, a população já usa o óleo de buriti pra tratar queimaduras, então achei interessante trazer essa aspecto pra pesquisa”, explicou.

Tratamentos para queimaduras ainda são caros

A cientista afirma que estudou os enxertos de pele tradicionais e substitutos cutâneos já fabricados por grandes empresas. A análise ajudou a entender quais características seriam importantes em um biomaterial voltado para esse tipo de tratamento.

Segundo Sofia, a pesquisa também mostrou que muitos desses produtos ainda são caros e pouco acessíveis. Por isso, ela buscou desenvolver uma alternativa funcional e de baixo custo.

Queimaduras causaram 509 mortes no Brasil em 2025

Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou 509 mortes por queimaduras entre janeiro e novembro de 2025. A Região Sudeste concentrou o maior número de óbitos, com 230 registros. Somente o estado de São Paulo teve 115 mortes.

A faixa etária com maior incidência foi a de 40 a 49 anos, com 77 óbitos. No mesmo período, foram registrados 6,7 mil atendimentos ambulatoriais e quase 20 mil atendimentos hospitalares por queimaduras no país.

Os dados se referem ao número de atendimentos realizados, e não ao total de pessoas atendidas. Isso significa que uma mesma pessoa pode ter recebido atendimento mais de uma vez pela mesma causa.

Incentivo à ciência marcou trajetória de jovem

Sofia afirma que o incentivo da família e da escola foi fundamental para sua trajetória na ciência. Ela começou a desenvolver pesquisas ainda no ensino fundamental e continuou no ensino médio.

“A minha escola e família sempre me incentivaram muito, no ensino fundamental é obrigatório fazer pesquisa pra desenvolver essa parte acadêmica, mas eu gostava tanto que acabei continuando no ensino médio e me aprofundei bastante na pesquisa científica”, contou.

Ciência mudou a vida da jovem Sofia Nunes

Para a jovem cientista, a pesquisa pode transformar a vida acadêmica e pessoal dos estudantes. No entanto, ela avalia que o tema ainda precisa ser mais valorizado no Maranhão.

Sofia foi estimulada desde criança à seguir a carreira científica. (Foto: Reprodução/Acervo pessoal)

“Ao visitar feiras de ciências na minha cidade, no Maranhão, notei que esse ainda não é um tema tratado com a devida seriedade. Muitas vezes, os alunos realizam pesquisas apenas para obter nota ou cumprir uma atividade escolar, sem compreender o verdadeiro impacto que a ciência pode ter”, afirmou.

Sofia defende que mais estudantes tenham acesso a oportunidades na área científica. “Acredito que um dos principais problemas seja justamente a falta de incentivo à pesquisa e a pouca conscientização sobre as oportunidades e os futuros que ela pode proporcionar”, completou.

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