Crateras gigantes

Voçorocas continuam crescendo em Buriticupu e ameaçam centenas de famílias

O fenômeno, que já causou mortes e destruição de ruas, preocupa moradores que aguardam a entrega de casas populares e medidas de contenção.

Imirante, com informações da TV Mirante e do g1 MA

Voçorocas engolem ruas e ameaçam casas em Buriticupu há cerca de 40 anos. (Reprodução / TV Mirante)

BURITICUPU - O avanço das voçorocas em Buriticupu, cidade localizada a 414 km de São Luís, continua gerando medo e prejuízos aos moradores. As crateras, formadas principalmente pela força das chuvas em solo arenoso, já impactaram centenas de famílias e seguem em expansão, engolindo ruas e ameaçando estruturas residenciais.

Voçorocas em Buriticupu são perigo constante

O surgimento das primeiras voçorocas em Buriticupu ocorreu há cerca de 40 anos. O fenômeno geológico ocorre quando a água pluvial escava o terreno, processo intensificado em áreas com escassa vegetação. Atualmente, pesquisadores contabilizam cerca de 33 crateras que alteram a geografia urbana e causam tremores sentidos pelos moradores durante desabamentos de terra.

Especialistas alertam que a erosão urbana é agravada pelo crescimento da cidade sem o devido planejamento. A pavimentação de vias sem sistemas adequados de drenagem direciona o fluxo das chuvas para as encostas, acelerando a abertura das fendas. Em diversos bairros, o cenário é de devastação, com ruas inteiras que desapareceram sob as crateras.

Impactos das voçorocas na vida dos moradores e casos de erosão urbana

A proximidade das fendas com as moradias é alarmante. Em um dos pontos críticos, a cratera avançou 18 metros desde o ano passado, destruindo parte de uma via pública. Moradores relatam que o avanço foi drástico nos últimos anos; em uma residência onde o buraco estava a 500 metros há uma década, hoje a distância é de apenas 13 metros.

O medo é constante e impede muitos de dormirem tranquilamente. Relatos indicam que as voçorocas em Buriticupu já resultaram em sete mortes ao longo dos anos. Recentemente, um idoso de 72 anos sobreviveu a uma queda em uma das crateras, sendo resgatado com fraturas. Estima-se que mais de 360 famílias já tenham sofrido algum tipo de impacto direto pelas erosões.

Justiça e o atraso na entrega de casas populares

Diante da gravidade, a Justiça estabeleceu um prazo para que a Prefeitura de Buriticupu apresentasse um relatório de medidas de contenção e proteção às famílias em risco, porém o prazo expirou na última sexta-feira (6), sem a entrega do documento. No âmbito federal, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional liberou, desde 2023, cerca de R$ 10 milhões para assistência e construção de casas populares.

Apesar do investimento de R$ 8 milhões destinado especificamente para moradias, muitas famílias continuam desabrigadas ou em áreas de risco. Pelo menos 27 residências estão concluídas há quase um ano, mas permanecem vazias e sofrendo com infiltrações, enquanto outras 15 seguem com obras paralisadas. Os moradores afetados pelas voçorocas em Buriticupu aguardam o cumprimento das promessas para que possam, finalmente, ter um lar seguro.

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