BRASIL – O Brasil deve receber entre esta semana e o início da próxima uma proposta dos Estados Unidos para um possível acordo sobre o tarifaço imposto pelo governo americano. A informação foi divulgada nesta terça-feira (3) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.
Segundo o ministro, o documento deverá apresentar sugestões de concessões comerciais, como reduções de tarifas em determinados setores. A partir da proposta, o governo brasileiro poderá apresentar ofertas e contrapropostas.
Elias Rosa falou com jornalistas após participar de um seminário sobre minerais críticos e estratégicos na Câmara dos Deputados. Ele explicou que a expectativa é receber o documento dentro do prazo informado pelos representantes americanos durante uma reunião realizada em 30 de setembro, nos Estados Unidos.
"Nós tivemos uma reunião nos Estados Unidos em 30 de setembro, e eles ficaram de encaminhar um termo de referência, que é o nome que usamos para um esboço do que pode ser um futuro acordo, em três ou quatro semanas. Essa é a quarta semana. Então, imagino que o Brasil deva receber esse documento entre esta semana e a próxima", afirmou.
Como será a negociação?
De acordo com o ministro, o documento americano deverá indicar os setores nos quais os Estados Unidos têm interesse em obter reduções tarifárias. Depois, o Brasil apresentará sua resposta, considerando os interesses comerciais do país.
"Quando negociamos um acordo dessa natureza, uma parte apresenta uma proposta e nós fazemos as nossas ofertas. Eles devem nos encaminhar um documento indicando, basicamente, quais são os setores em que gostariam de obter reduções tarifárias, por exemplo, e nós responderemos em seguida. Mas ainda não houve nenhuma antecipação sobre o mérito da proposta", declarou.
O ministro afirmou que o governo americano está preparando o texto e que as conversas entre os dois países continuaram de maneira informal durante o período.
"A informação que eu tenho é que eles estão preparando o documento para nos encaminhar. Independentemente da discussão política, nós mantivemos conversas informais nesse período, e eles de fato estão trabalhando nisso", disse.
"Eles fazem uma proposta dos setores que a eles interessa, e nós vamos responder de acordo com aquilo que convém ao Brasil", completou.
Questionado sobre uma possível influência das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, na negociação, Elias Rosa afirmou que o processo não será afetado.
"Não, nada. Não muda absolutamente nada", respondeu. O ministro acrescentou que cabe aos americanos decidir o resultado das eleições.
Entenda o tarifaço dos Estados Unidos
O Brasil foi alvo de duas rodadas de tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. Uma delas estabeleceu uma cobrança adicional de 25%, justificada pela Casa Branca com alegações de práticas econômicas consideradas desleais em áreas como Pix, etanol e propriedade intelectual.
Outra rodada estabeleceu uma tarifa de 12,5%, sob o argumento de que dezenas de países, incluindo o Brasil, não teriam adotado medidas suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Durante as negociações para tentar evitar as medidas, representantes do governo brasileiro afirmaram que os Estados Unidos desconsideraram argumentos técnicos. Diante disso, o Brasil avaliou que as decisões tinham caráter político, e não comercial.
O governo brasileiro também abriu um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que os Estados Unidos trataram o país de maneira diferente de outros parceiros comerciais.
Em resposta, os americanos informaram à organização que estavam disponíveis para discutir o assunto, mas, segundo diplomatas brasileiros, ainda não apresentaram sinais de que pretendem reverter as tarifas.
Negociação na Organização Mundial do Comércio
Em setembro, representantes dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump se reuniram em Genebra, na sede da OMC, para tratar do tarifaço.
A reunião abriu um prazo de 60 dias para que os dois países tentem chegar a um consenso. Caso não haja acordo nesse período, uma das partes poderá solicitar a abertura de um painel, procedimento que leva a discussão para julgamento na organização.
O governo da China pediu formalmente à OMC para participar do processo, mas os Estados Unidos se manifestaram contra a participação dos chineses.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.