Congresso

PL deve lançar Rogério Marinho à presidência do Senado na quarta-feira

Com previsão de ter 28 senadores em 2027, partido prepara candidatura própria apesar das tentativas de acordo de Davi Alcolumbre.

Imirante, com informações do g1

Rogério Marinho deve ser anunciado pelo PL como candidato à presidência do Senado para a eleição de fevereiro de 2027. (José Cruz/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O PL deve anunciar na quarta-feira (4) a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado para a eleição de fevereiro de 2027. A maioria do partido rejeitou uma composição com o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), e pretende colocar o senador potiguar em campanha.

A legenda terá 28 parlamentares com a chegada dos senadores eleitos em outubro, formando a maior bancada da Casa. Para eleger o presidente, porém, são necessários pelo menos 41 votos, o que exige apoio de outras siglas.

Marinho confirmou na quarta-feira (28) que deverá ser o candidato do partido. O lançamento ocorre enquanto Alcolumbre busca votos entre integrantes da oposição para permanecer no cargo.

Maioria do partido defende candidatura própria

A decisão de avançar com Marinho prevaleceu apesar das conversas de Alcolumbre com senadores do PL, do PP e do Republicanos.

Entre os defensores da candidatura está o senador eleito Carlos Jordy, que vê o nome do potiguar como o mais competitivo na disputa.

“A candidatura com mais força e votos hoje é a de Rogério Marinho”, afirmou.

A posição, no entanto, não é unânime dentro do partido. Uma liderança da legenda defendeu aos colegas que uma negociação deveria anteceder o lançamento de uma candidatura contra Alcolumbre.

O receio desse parlamentar é que o PL enfrente o desgaste de uma derrota e termine sem o comando de comissões importantes. Ele citou a eleição de 2023, quando Marinho perdeu a presidência do Senado para Rodrigo Pacheco.

Apesar dessa resistência interna, a maioria da legenda pretende seguir com a candidatura própria.

Marinho enfrenta concorrência na oposição

O lançamento pelo PL não encerra a disputa por apoio entre os partidos de oposição. A senadora Tereza Cristina mantém a intenção de concorrer ao comando da Casa.

“Eu mantenho meu desejo de concorrer, de ser a primeira mulher presidente do Senado. Temos 90 dias até a eleição. Tem muita água pra rolar”, declarou.

Tereza conta com o apoio de Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal. Alcolumbre pretende conversar com Michelle nas próximas semanas, segundo um interlocutor do presidente do Senado.

A manutenção das duas pré-candidaturas deixa em aberto a possibilidade de a oposição chegar à eleição com mais de um nome.

Ligação com Flávio gera questionamentos

Marinho também enfrenta avaliações negativas de parlamentares da oposição por sua ligação com Flávio Bolsonaro, cuja campanha presidencial coordenou.

Entre esses senadores, a carta em que Flávio se autodeclarou presidente eleito, depois alterada para líder do Brasil, enfraqueceu a candidatura do potiguar.

A crítica é que Marinho poderia ter sua autonomia comprometida no comando do Senado pela relação com Flávio, que deixou o país e está nos Estados Unidos. Essa é uma avaliação de integrantes da oposição, e não uma posição unificada dos partidos.

Um interlocutor de Alcolumbre considera que o atual presidente já reúne os 41 votos necessários para vencer, inclusive com apoios dentro do PL. A afirmação não veio acompanhada de uma relação pública de senadores comprometidos com sua candidatura.

Anistia faz parte das articulações

Nas tentativas de aproximação com a oposição, Alcolumbre tem discutido a possibilidade de pautar um projeto de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Uma liderança do PL afirmou, nos bastidores, que a negociação poderia beneficiar os condenados e também evitar uma apuração no Senado sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no Supremo Tribunal Federal.

A possibilidade não representa um acordo fechado. Embora tenha apoio de parlamentares como Otto Alencar, a proposta de anistia enfrenta resistência de partidos como o MDB.

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