BRASIL – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pretende reagir diplomaticamente à saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e quer manter uma relação pragmática com os Estados Unidos e a Argentina. Segundo informações do g1, da GloboNews e da TV Globo, o Palácio do Planalto avalia que o episódio não exige uma manifestação oficial neste momento.
Nos bastidores, integrantes do governo acreditam que os dois países colaboraram com a operação que permitiu a saída do senador, derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). A avaliação, porém, é de que uma reação oficial só será considerada caso surjam novos fatos.
Na quarta-feira (28), após desembarcar nos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta na qual contestou o resultado das urnas e afirmou ser o “verdadeiro presidente do Brasil”. Posteriormente, alterou o texto e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
O governo brasileiro considera que a vitória eleitoral de Lula fortaleceu o presidente politicamente e reduziu o espaço para questionamentos sobre o processo eleitoral. Por isso, a orientação é evitar que o episódio se transforme em um novo foco de tensão diplomática.
Relação com os Estados Unidos
Com o governo de Donald Trump, o Planalto pretende manter a estratégia de diálogo adotada durante a crise do tarifaço, evitando que divergências políticas prejudiquem as relações comerciais entre os países.
Outro fator acompanhado pela diplomacia brasileira são as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira. O governo avalia que o resultado poderá influenciar a força política de Trump e os rumos da relação bilateral.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viaja nesta quinta-feira (29) para Atlanta, onde participará de uma reunião de chanceleres do G20 na sexta-feira (30). O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também estará no encontro.
Até o momento, não há reunião bilateral prevista entre os dois, mas o governo brasileiro não descarta uma conversa caso haja interesse da parte americana.
A expectativa é que Lula e Trump voltem a se encontrar durante a Cúpula do G20, prevista para dezembro, na Flórida.
Governo também evita reação à Argentina
O governo brasileiro também acredita que a gestão do presidente argentino Javier Milei colaborou com a operação que permitiu a saída de Flávio Bolsonaro do país. Ainda assim, a orientação é evitar uma reação diplomática enquanto não surgirem novos fatos.
Integrantes do governo acompanham também a repercussão da carta divulgada pelo senador. Nos bastidores, há suspeitas de que o documento tenha passado por ajustes após contatos com autoridades americanas, o que explicaria a substituição das expressões “presidente eleito” e “verdadeiro presidente do Brasil” por “líder”.
Essa hipótese, no entanto, não foi confirmada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
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