SÃO PAULO – O jurista Miguel Reale Júnior, um dos responsáveis pelo pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez duras críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao Metrópoles, ele classificou o senador como uma “cópia malfeita do pai” e afirmou que uma eventual vitória do parlamentar no segundo turno, marcado para domingo (25), representaria riscos à democracia brasileira.
Reale Júnior criticou o histórico político de Flávio Bolsonaro e afirmou que parte dos eleitores desconhece a atuação do senador durante seu mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro.
“Flávio é uma cópia malfeita do pai. Esquece-se do passado, do que foi Flávio”, declarou o jurista.
Na entrevista, ele mencionou homenagens feitas pelo parlamentar ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e ao miliciano Adriano Nóbrega, além de manifestações favoráveis à ditadura militar.
Segundo Reale Júnior, esses episódios demonstram o que considera uma ameaça às instituições democráticas em caso de vitória do candidato do PL.
Miguel Reale Júnior declara apoio à reeleição de Lula
O jurista tornou público seu apoio a Lula no sábado (17), quando publicou uma fotografia fazendo o gesto da letra “L”, após mobilização promovida pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
Na mesma data, Reale Júnior assinou um manifesto favorável à reeleição do presidente ao lado de outras 14 personalidades.
Entre os signatários estão o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira (PSB-SP), Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e o ex-embaixador Rubens Ricupero.
O posicionamento reforça uma manifestação anterior do jurista, que já havia anunciado, em carta aberta publicada em 7 de outubro, que votaria contra Flávio Bolsonaro.
Na ocasião, ele afirmou considerar a eleição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) um risco para o regime democrático.
Jurista critica Flávio Bolsonaro e aponta riscos institucionais
Reale Júnior também questionou a experiência política de Flávio Bolsonaro para assumir a Presidência da República.
Segundo o jurista, o senador teve apenas dois projetos aprovados em sete anos de mandato, ambos ainda em tramitação na Câmara dos Deputados.
Ele afirmou que o desgaste do PT não justificaria a escolha de um candidato que, em sua avaliação, poderia comprometer a estabilidade institucional.
“Não é porque o PT está desgastado e ultrapassado que se vai mudar de rumo [com a] mudança para ir na direção do precipício”, declarou.
O jurista também demonstrou preocupação com a composição do Congresso Nacional a partir de 2027. O PL terá as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado, com 121 deputados federais e 28 senadores.
Para Reale Júnior, essa configuração poderia facilitar iniciativas que considera autoritárias em um eventual governo Flávio Bolsonaro.
Ele ainda manifestou receio de que interesses norte-americanos ganhem influência sobre decisões relacionadas a recursos naturais brasileiros, como petróleo e terras raras, além de possíveis restrições a benefícios sociais.
Autor do impeachment de Dilma também critica o PT
Apesar do apoio à reeleição de Lula, Miguel Reale Júnior fez críticas à condução política do PT nos últimos anos.
O jurista avaliou que o partido não conseguiu aproveitar adequadamente a aliança formada em 2022 para garantir o terceiro mandato do atual presidente.
Segundo ele, o governo também cometeu erros na condução econômica e no relacionamento com os grupos políticos que participaram daquela articulação eleitoral.
Reale Júnior, no entanto, estabeleceu uma diferença entre suas críticas ao PT e as preocupações que manifesta em relação ao bolsonarismo.
“Mas, uma coisa é certa: nunca houve, por parte do PT, ameaça à democracia, ameaças às liberdades democráticas, golpe de Estado”, afirmou.
O jurista também voltou a defender o impeachment de Dilma Rousseff, alegando que a então presidente havia conduzido o país a uma grave crise.
Pesquisa mostra disputa apertada entre Flávio e Lula
As declarações de Miguel Reale Júnior ocorrem na reta final da campanha presidencial.
Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21) aponta Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Lula aparece com 44%.
A votação está marcada para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores decidirão quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.
Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.