Eleições 2026

Flávio Bolsonaro impõe exigências a Lula para destrava de sigilos

Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos dos últimos 20 anos ao TSE, mas exige que Lula libere dados de assessores e gastos de cartões corporativos.

Ipolítica, com informações do G1

Flávio Bolsonaro aceita abrir seus sigilos dos últimos 20 anos, mas condiciona medida a exigências feitas a Lula em petição ao TSE. (Reprodução)

BRASIL – O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apresentou nesta quarta-feira (21) uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta ao desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a abertura de sigilos. No documento, Flávio afirma aceitar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, além dos dados de familiares citados e de empresas de sua propriedade, mas condiciona a medida ao cumprimento de uma série de exigências por Lula.

A petição foi encaminhada ao ministro André Mendonça. A defesa de Flávio pede que o presidente também autorize a divulgação de informações sobre assessores, empresas de familiares, gastos com cartões corporativos e registros de reuniões no Palácio do Planalto.

Na terça-feira (20), Lula havia apresentado ao TSE um documento em que autorizava a abertura de seus sigilos e os de familiares referentes aos últimos oito anos, desde que houvesse reciprocidade do adversário.

A defesa de Flávio classificou a iniciativa do petista como uma “promessa vazia” e uma “quebra para inglês ver”. Segundo os advogados, eventuais irregularidades poderiam envolver terceiros e empresas, e não apenas as contas diretas do presidente.

Quais são as condições apresentadas por Flávio

Na petição, a campanha de Flávio Bolsonaro estabelece exigências que abrangem períodos anteriores e a atual gestão federal. Entre os pedidos estão:

Assessores: autorização para quebra de sigilo de assessores próximos de Lula, incluindo Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, ex-chefe de gabinete.

Empresas e familiares: abertura de dados de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo negócios associados ao filho Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, empresas de outros filhos, o Instituto Lula e a L.I.L.S. Palestras, desde 2003.

Caso Master: divulgação de registros de visitantes do Palácio do Planalto e detalhes da reunião entre Lula e Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024.

Caso INSS: esclarecimentos sobre relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de entradas dela em palácios presidenciais e voos na Força Aérea Brasileira (FAB), além da quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.

Cartão corporativo: divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, das agendas da primeira-dama Janja e de registros sobre visitas de familiares e uso de helicópteros oficiais.

Na petição, Flávio argumenta que o pedido de Lula deveria envolver transparência mais ampla. O senador também pede que o TSE intime o presidente a informar se aceita as condições e que, caso haja recusa, isso seja registrado no processo.

Flávio nega participação em empresa investigada

No documento, Flávio Bolsonaro afirma que não é sócio, administrador nem beneficiário da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do candidato do PL.

Por esse motivo, segundo a defesa, o senador não teria acesso aos dados bancários e fiscais da empresa.

Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings. Willer Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.

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