Articulações no Congresso

Alcolumbre articula reeleição à presidência do Senado em 2027

Davi Alcolumbre negocia 49 votos e articula apoios estratégicos para garantir reeleição à presidência do Senado Federal contra o nome de Rogério Marinho.

Ipolítica, com informações do G1

Davi Alcolumbre articula apoio de senadores e tenta dividir votos do PL para permanecer na presidência do Senado em 2027. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

BRASIL – O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, articula sua reeleição ao comando da Casa em 2027, independentemente de quem vencer o segundo turno da eleição presidencial, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Para continuar no cargo, a principal estratégia é dividir os votos da bancada do Partido Liberal (PL), que terá 29 cadeiras no Senado.

A movimentação ganhou força após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que a sigla não apoiará a recondução de Alcolumbre e lançará o senador Rogério Marinho como candidato. Diante desse cenário, o atual presidente tem buscado apoio de parlamentares de diferentes partidos e intensificado as articulações políticas.

Na última semana, Alcolumbre também conduziu votações de interesse do governo Lula, entre elas a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

Alcolumbre tenta dividir votos do PL

Apesar de o PL contar com uma bancada de 29 senadores, alguns integrantes da sigla fazem parte do grupo político de Alcolumbre. Entre eles está Eduardo Gomes, senador pelo Tocantins e vice-presidente do Senado.

Segundo aliados, um dos primeiros movimentos para ampliar o apoio a Alcolumbre envolve justamente Gomes, que deve ser escolhido relator do Orçamento de 2027. A função, conforme acordos políticos anteriores, caberia a um senador do MDB. A possível mudança é vista como um sinal aos parlamentares do PL.

Alcolumbre afirma a interlocutores que o partido tem legitimidade para lançar Rogério Marinho ou outro nome à disputa. Ao mesmo tempo, lembra que o PL foi derrotado na eleição anterior em que enfrentou seu grupo político.

Em 2023, Marinho disputou a presidência do Senado contra Rodrigo Pacheco e perdeu por 49 votos a 32. Na ocasião, o PL ficou sem o comando de comissões e sem espaço na Mesa Diretora durante dois anos. Em 2025, a legenda apoiou a eleição de Alcolumbre.

Aliados do atual presidente calculam que ele tem pelo menos 49 votos, enquanto outros interlocutores estimam um apoio mais apertado, de 44 senadores.

Líderes partidários declaram apoio à reeleição

Com o crescimento da bancada do PL, lideranças de outras siglas têm articulado uma união em torno de Alcolumbre. Na terça-feira (13), os líderes Eduardo Braga, do MDB do Amazonas, e Otto Alencar, do PSD da Bahia, anunciaram apoio à reeleição do presidente do Senado.

A estratégia se assemelha às articulações na Câmara dos Deputados para manter Hugo Motta na presidência da Casa.

Segundo a avaliação de partidos citada por interlocutores, uma eventual presidência do Senado nas mãos do PL durante um governo de Flávio Bolsonaro poderia reduzir a independência do Congresso. As emendas parlamentares, consideradas uma importante fonte de poder dos congressistas, também fazem parte das preocupações relatadas nos bastidores.

Alcolumbre é conhecido pela atuação nas negociações envolvendo emendas e por pressionar o governo federal em defesa dos interesses dos parlamentares.

Gabinetes, apartamentos e cargos entram nas negociações

Nas últimas semanas, Alcolumbre conversou com quase todos os novos senadores eleitos e tem participado das negociações para distribuir gabinetes e apartamentos funcionais. As articulações também envolvem parlamentares que estão no meio do mandato ou foram reeleitos e desejam mudar de espaço.

Os gabinetes mais disputados ficam no Anexo II do Senado, alguns com acesso reservado ao estacionamento. Um desses espaços recebeu 18 visitas em um único dia.

Outro gabinete, ocupado pelo senador Jorge Kajuru, também foi visitado por quase duas dezenas de novos parlamentares. O local fica na ala dos plenários onde ocorreram sessões da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e tem uma entrada lateral restrita.

Segundo aliados, Alcolumbre também tenta acomodar adversários políticos em bons gabinetes. É o caso da senadora eleita Rayssa Furlan, do Amapá, que derrotou os candidatos apoiados por ele na disputa pelo Senado.

As negociações incluem ainda dezenas de cargos vinculados à presidência da Casa, que podem ser ocupados por indicados de aliados.

Vaga no STF pode influenciar articulações

Outra frente das negociações envolve uma possível indicação do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre defende o nome junto a Lula e é contrário ao impeachment de ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes, de quem é próximo.

A não escolha de Pacheco para uma vaga no Supremo foi apontada como motivo para Alcolumbre articular a rejeição, no Senado, do nome de Jorge Messias, então advogado-geral da União, segundo o relato de aliados.

Interlocutores interpretam a movimentação como um recado tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro.

Se Lula vencer a eleição, a indicação de Pacheco poderia garantir ao presidente do Senado um aliado no STF. Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, Pacheco também poderia representar um aliado na Corte diante de uma eventual pressão pelo impeachment de Moraes.

Além disso, uma eventual ida de Pacheco ao Supremo abriria uma vaga no Senado para a escolha de um novo integrante do TCU, o que poderia entrar nas negociações de apoio à reeleição de Alcolumbre.

Parlamentares contrários à permanência de Alcolumbre na presidência avaliam que a vaga no TCU poderia ser destinada ao próprio senador caso ele não consiga continuar no comando da Casa.

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