Orçamento federal

Governo federal precisará cortar despesas para fechar contas em 2027, aponta IFI

Relatório da IFI estima déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027 e alerta para a necessidade de cortes de R$ 35,7 bilhões para o equilíbrio das contas.

Imirante, com informações da Agência Senado

Sede administrativa do Governo Federal (Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

BRASÍLIA - O governo federal precisará realizar cortes expressivos de despesas e congelamentos para conseguir equilibrar as contas públicas em 2027. A avaliação consta no mais recente relatório de acompanhamento fiscal divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), que analisou as diretrizes e as projeções apresentadas no projeto do Orçamento do próximo ano.

Enquanto a proposta enviada pelo Poder Executivo estima um superávit primário de R$ 18,6 bilhões para o período, os cálculos elaborados pela IFI apontam para um cenário fiscal oposto, com expectativa de déficit de R$ 86,1 bilhões. Diante dessa discrepância, a instituição avalia que a administração federal precisará bloquear ao menos R$ 35,7 bilhões em gastos obrigatórios ou discricionários para cumprir formalmente as metas estabelecidas.

Impacto dos juros e da dívida pública

O estudo também chama a atenção para o comportamento da dívida pública e os impactos gerados pelo patamar elevado das taxas de juros na economia nacional. Atualmente, o endividamento do setor público corresponde a cerca de 82,5% do Produto Interno Bruto, percentual que pode avançar para até 86,4% até o encerramento de 2027, segundo as projeções técnicas.

Além das dificuldades nas contas do governo, a IFI revisou para baixo a estimativa de crescimento econômico para o próximo ano. A projeção oficial de alta de 2,5% no PIB foi ajustada pela instituição para 1,8%, o que pode trazer reflexos diretos sobre a arrecadação de tributos, a geração de novos postos de trabalho e a renda da população.

Manutenção de programas sociais

Apesar da necessidade de ajustes orçamentários e contenção de investimentos em serviços e obras públicas, o relatório confirma que as principais iniciativas de transferência de renda e seguridade social estão asseguradas na proposta orçamentária. Estão previstos recursos expressivos para a manutenção de programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada.

O texto com as diretrizes e estimativas orçamentárias foi encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional e passará por análises detalhadas e votações entre os parlamentares ao longo dos próximos meses.

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