Bastidores em Brasília

Bolsonaristas pressionam Alcolumbre em meio à crise no STF

Aliados de Davi Alcolumbre indicam que o Senado Federal não deve votar pautas sobre a crise no STF antes das eleições, blindando votações no pleito.

Ipolítica, com informações de O Globo

Bolsonaristas aumentam pressão sobre Davi Alcolumbre para que o Senado reaja à crise no STF e paute pedidos de impeachment de ministros. (Waldemir Barreto / Agência Senado)

BRASIL – Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliam que a Casa não deve tomar nenhuma decisão sobre a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições. Enquanto isso, parlamentares bolsonaristas ampliam a pressão sobre o senador para que o Senado reaja ao conflito entre ministros da Corte.

Os bolsonaristas aproveitaram os protestos realizados em diversas cidades no Sete de Setembro para cobrar de Alcolumbre a análise de pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

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O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também convocou seguidores nas redes sociais para um protesto em Macapá, no Amapá, reduto eleitoral de Alcolumbre. O ato está previsto para domingo (13).

Flávio Bolsonaro critica Alcolumbre

Na semana passada, o senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, criticou diretamente Davi Alcolumbre e afirmou que o presidente do Senado estaria tentando proteger Alexandre de Moraes.

Segundo Flávio, Alcolumbre teria escolhido proteger um amigo em vez da instituição.

A pressão ocorre em meio ao agravamento da crise no STF, que envolve os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sob a justificativa de garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF exercessem suas funções sem constrangimentos ilegais.

A decisão foi revertida no dia seguinte pelo ministro Flávio Dino.

Crise entre ministros do STF

O conflito entre Mendonça e Moraes se intensificou na última quinta-feira (3), quando Moraes pediu que o colega fosse investigado por supostos “indícios de crimes” na condução de inquéritos sob sua relatoria.

Entre os procedimentos citados está a investigação relacionada ao escândalo do Banco Master. No pedido, Moraes mencionou um relatório elaborado pela Polícia Federal.

Diante desse cenário, um senador próximo de Alcolumbre avalia que o Senado não teria condições de articular uma reação à crise enquanto permanecerem indefinidos os resultados das eleições para presidente da República e para o Senado.

Segundo o parlamentar, Alcolumbre deverá manter papel relevante independentemente do resultado eleitoral, já que continuará na presidência da Casa pelo menos até fevereiro de 2027.

A avaliação é de que, mesmo com eventual fortalecimento da bancada bolsonarista e aumento das cobranças por um enfrentamento ao STF, haverá espaço para diálogo depois das eleições.

Pressão pode perder força após eleições

Aliados de Alcolumbre também consideram que parte do discurso de enfrentamento adotado por candidatos durante o período eleitoral pode ser modulado após o fim da campanha.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), criticou as cobranças direcionadas a Alcolumbre e minimizou os efeitos da pressão sobre o Senado.

Otto citou, como exemplo, o pedido feito pelo senador Carlos Viana para o impeachment de Alcolumbre.

Para o presidente da CCJ, as cobranças fazem parte do ambiente eleitoral e buscam ganhos políticos diante da crise.

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