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Gilmar Mendes defende retirada de delegados da PF de gabinetes do STF

Após crise no caso Banco Master, Gilmar Mendes pede a Edson Fachin a retirada de delegados da PF de gabinetes de ministros do STF em Brasília.

Ipolítica, com informações de O Globo

Gilmar Mendes defende retirar delegados da PF dos gabinetes do STF em meio à crise envolvendo o Banco Master e divergências com Mendonça. (Gustavo Moreno / STF)

BRASIL – O ministro Gilmar Mendes defendeu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal (PF) que atualmente trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte. A proposta foi apresentada nesta quinta-feira (3), em meio à crise provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.

Gilmar e Fachin conversaram sobre a situação interna do tribunal após a PF identificar o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas durante as investigações.

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A presença de delegados da PF nos gabinetes do STF já era discutida por Gilmar antes da atual crise, mas o tema ganhou força diante dos questionamentos sobre a atuação dos policiais que auxiliam diretamente ministros na condução de inquéritos.

Gilmar questiona presença da PF nos gabinetes

Na avaliação de Gilmar Mendes, a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre investigadores e ministros responsáveis pela condução das investigações.

Um dos questionamentos levantados durante a atual crise envolve justamente o grau de influência que policiais cedidos podem exercer sobre a condução das apurações.

Atualmente, seis delegados da Polícia Federal estão cedidos ao STF. Quatro trabalham diretamente nos gabinetes de ministros e um atua na área de segurança da Corte.

O ministro André Mendonça conta com dois policiais cedidos: Graziela Machado e Thiago Marcantonio. Fábio Shor e Anderson Antonio Ferreira de Souza trabalham com Alexandre de Moraes, enquanto Fábio Lucena atua no gabinete de Luiz Fux. Raphael de Mello Batista está na Polícia Judicial.

Medida atingiria gabinetes de Moraes, Mendonça e Fux

Caso a proposta seja adotada, a retirada dos delegados não atingiria apenas o gabinete de Mendonça, que está no centro de divergências com a cúpula da Polícia Federal.

A medida também alcançaria os gabinetes de Alexandre de Moraes e Luiz Fux.

A discussão ocorre após a PF identificar Moraes como interlocutor de Vorcaro em mensagens apreendidas durante as investigações sobre o Banco Master. O material foi incluído em relatório encaminhado ao STF.

Ao mesmo tempo, Mendonça e integrantes da cúpula da Polícia Federal vêm acumulando divergências sobre a condução das investigações.

Governo já havia pedido devolução de policiais

A presença de policiais federais cedidos a outros órgãos também foi alvo de discussão entre o governo, o STF e a Polícia Federal nos últimos meses.

Em junho, o Ministério da Justiça enviou ofícios a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais para reforçar o efetivo da corporação no combate ao crime organizado.

O STF ficou fora da lista. Na ocasião, integrantes do governo justificaram que a medida poderia prejudicar investigações em andamento.

A possibilidade de retirada dos policiais gerou preocupação especialmente no gabinete de Mendonça. Thiago Marcantonio atua como assessor do ministro desde 2025 e auxilia em processos relacionados às fraudes no Banco Master e às investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A movimentação para recuperar policiais cedidos chegou a ser interpretada por integrantes da PF e do STF como uma possível tentativa de atingir a estrutura utilizada por Mendonça na condução dessas apurações.

Crise entre Mendonça e Polícia Federal

A discussão sobre os delegados ocorre em um momento de aumento da tensão entre Mendonça e a cúpula da Polícia Federal.

As divergências se aprofundaram depois que o ministro determinou à corporação que identificasse interlocutores de Daniel Vorcaro mencionados no material apreendido durante as investigações.

A proposta de Gilmar Mendes ainda será discutida com Edson Fachin, presidente do STF.

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