caso master

Como foi o depoimento de Daniel Vorcaro à PF

Dono do Banco Master prestou depoimento por videoconferência e afirmou que não houve corrupção envolvendo servidores do Banco Central.

Ipolítica, com informações de o Globo

Daniel Vorcaro prestou depoimento à PF sobre o Banco Master e afirmou que não houve corrupção envolvendo servidores do Banco Central. (Reprodução)

BRASIL – O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou nesta sexta-feira (28) o primeiro depoimento oficial à Polícia Federal (PF) neste ano. A oitiva ocorreu por videoconferência, diretamente da carceragem da Papudinha, no Distrito Federal, onde está detido.

O empresário respondeu a perguntas sobre sua articulação com ex-diretores do Banco Central (BC) para tentar impedir a liquidação do Master, decretada em novembro de 2025.

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Durante o depoimento, afirmou que não houve atos de corrupção envolvendo servidores da instituição. O inquérito que apura esse episódio é um dos desdobramentos da Operação Compliance Zero.

Interesse em delação premiada

O dono do Banco Master voltou a manifestar interesse em firmar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Essa foi a terceira vez que a defesa apresentou essa possibilidade.

Em nota, os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski afirmaram que o cliente respondeu às perguntas dos delegados “de forma clara e consistente”, sem deixar “qualquer indagação sem esclarecimento”.

A defesa também disse que ele pode prestar esclarecimentos “mais amplos e aprofundados sobre os fatos”, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar.

A PF já rejeitou duas propostas de delação apresentadas anteriormente. Segundo os investigadores, os anexos entregues eram insuficientes para acrescentar elementos novos às apurações.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) seguiu a mesma orientação.

Atuação de ex-diretores do Banco Central

A Polícia Federal marcou a oitiva para esclarecer a atuação de dois ex-diretores do Banco Central durante o período em que o Banco Master enfrentava dificuldades.

Segundo as investigações, os dois teriam atuado como “consultores” e “empregados” do banqueiro, orientando-o sobre como deveria responder a questionamentos feitos pela instituição.

Ao ser ouvido, o empresário negou a existência de atos de corrupção envolvendo servidores do BC.

O inquérito está entre os desdobramentos mais avançados da Operação Compliance Zero. A oitiva dos investigados ocorre antes da conclusão do relatório da PF e do encaminhamento da lista de indiciados à PGR.

Depoimento foi adiado duas vezes

A oitiva ocorreu depois de dois adiamentos.

Na primeira ocasião, a defesa pediu mais tempo para acessar os autos. Na segunda, problemas de sinal no sistema de videoconferência impediram a realização do depoimento.

Preso desde março, o dono do Banco Master está desde junho na carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha.

Antes disso, passou pelas celas da Superintendência da PF no Distrito Federal e pela penitenciária federal de Brasília.

Liquidação do Banco Master

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025. Na época, o banqueiro foi detido pela primeira vez sob suspeita de tentar fugir do país, acusação que nega.

Segundo ato assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação ocorreu devido ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, à deterioração da liquidez, a infrações às normas que disciplinam a atividade bancária e à inobservância de determinações do BC.

Familiares estão presos

O pai, o cunhado e o primo de Vorcaro estão presos preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras praticadas pelo Master.

Segundo O Globo, um eventual acordo de colaboração também poderia ser usado pelo empresário na tentativa de obter proteção para familiares.

A delação poderia ainda aliviar sua pena caso ele seja condenado.

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