BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (21), que o Brasil não precisa de uma classificação internacional para combater organizações criminosas. A declaração ocorreu durante uma conversa telefônica entre os dois presidentes, que durou cerca de 1h20.
Segundo o Palácio do Planalto, Lula argumentou que grupos criminosos exercem “terror cotidiano” sobre as populações mais carentes, mas não podem ser confundidos com organizações terroristas. O presidente brasileiro também defendeu a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.
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A posição foi apresentada em meio à decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O governo brasileiro é contrário à medida e sustenta que a classificação não é necessária para enfrentar as facções.
Lula cita medidas adotadas pelo Brasil
Durante a conversa, Lula afirmou que o Brasil possui instrumentos próprios para combater as organizações criminosas e apresentou algumas das medidas adotadas pelo governo.
Entre os mecanismos citados pelo presidente estão:
- a estratégia de asfixia financeira das organizações criminosas;
- a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões em bens relacionados à criminalidade;
- os planos de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima;
- a Lei Antifacção, que amplia mecanismos de apreensão de bens e passaportes;
- a proposta de ampliar a participação do governo federal na segurança pública em cooperação com os estados;
- o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.
A Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção, instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil e ampliou mecanismos de investigação, punição e confisco de bens de organizações criminosas.
Cooperação com os Estados Unidos
Apesar de discordar da classificação das facções como terroristas, Lula reiterou o interesse brasileiro em ampliar a cooperação com Washington no enfrentamento ao crime organizado.
Segundo o Planalto, Trump respondeu positivamente à proposta e se dispôs a reforçar a cooperação entre os dois países. O presidente norte-americano também indicou que funcionários de alto escalão do governo dos Estados Unidos deverão dar continuidade às discussões sobre o tema.
Tarifaço também foi discutido
Além do combate ao crime organizado, Lula e Trump conversaram sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Durante a ligação, o presidente brasileiro afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para as medidas são infundadas e que as tarifas prejudicam as economias dos dois países. Entre os argumentos citados pelos Estados Unidos estão questões relacionadas ao desmatamento, combate à corrupção, funcionamento do Pix, mercado de etanol e supostas importações de produtos ligados ao trabalho forçado.
Lula defendeu a continuidade das negociações e ressaltou a importância de preservar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o Planalto, Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sugeriu que as equipes técnicas dos dois governos voltem a se reunir em breve.
A conversa foi descrita pelo Palácio do Planalto como amistosa e cordial. Os dois presidentes também trocaram impressões sobre conflitos internacionais, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia e questões relacionadas ao Oriente Médio.
Classificação do PCC e do Comando Vermelho
A classificação das duas principais facções brasileiras pelo governo dos Estados Unidos é um dos pontos de tensão na relação entre os dois países.
O governo Lula argumenta que a designação como organizações terroristas não contribui para o combate ao crime organizado e pode gerar riscos à soberania brasileira. A posição oficial é de que o Brasil possui instrumentos jurídicos e policiais próprios para enfrentar as facções, além de defender o compartilhamento de informações e ações conjuntas entre as autoridades dos dois países.
O tema também ganhou espaço no debate eleitoral de 2026, com diferentes candidatos à Presidência defendendo estratégias distintas para o enfrentamento das organizações criminosas.
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