escala 6x1

Coordenadora de Flávio critica fim da escala 6x1 e defende ajuste fiscal

Daniella Marques afirma que eventual governo de Flávio Bolsonaro reduziria ministérios, combateria supersalários e enviaria PEC ao Congresso.

Ipolítica, com informações de O Globo

Daniella Marques, coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, criticou o fim da escala 6x1 e defendeu ajuste fiscal com corte de gastos. (Cristiano Mariz/Agência O Globo)

BRASIL – A coordenadora do programa econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, criticou nesta sexta-feira (21) a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Durante evento no Rio de Janeiro, ela classificou a medida como “populista” e defendeu maior liberdade para trabalhadores e empregadores definirem os contratos.

Daniella, que foi presidente da Caixa Econômica Federal, afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro teria como prioridade o ajuste das contas públicas, com redução da estrutura do governo federal, combate a supersalários e privilégios e digitalização dos serviços públicos.

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Segundo ela, a proposta de redução da jornada teria impacto sobre os custos das empresas.

É um debate populista, inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser. É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa enquanto quem produz não vai ter condição de arcar com o aumento do custo de mão de obra”, afirmou.

Defesa de liberdade nos contratos

Daniella defendeu que trabalhadores e empregadores tenham maior autonomia para estabelecer as condições dos contratos de trabalho.

O problema não é a 6x1. O problema é a falta de liberdade do cidadão para discutir o seu contrato com o empregador, sem o Estado interferir”, declarou.

Para a coordenadora econômica, a legislação deveria permitir diferentes modelos de jornada, definidos de acordo com a negociação entre as partes.

Deveríamos ter todas as jornadas permitidas, cabendo ao trabalhador e ao empregador decidirem de que forma eles querem construir os seus contratos”, afirmou.

A proposta apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê reduzir de 44 para 40 horas semanais o limite máximo da jornada de trabalho, além de estabelecer pelo menos dois dias de folga por semana, o que encerraria a escala 6x1.

Ajuste fiscal

Durante o evento, Daniella também apresentou diretrizes econômicas para um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Entre as medidas está a redução do número de ministérios, que passaria dos mais de 30 atuais para uma quantidade entre 20 e 25 pastas.

A coordenadora também defendeu o combate a desperdícios e privilégios, a revisão de estruturas do governo, a avaliação de empresas estatais e ativos públicos e a digitalização de processos e serviços.

Segundo Daniella, a intenção seria encaminhar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda durante uma eventual transição de governo, para que as primeiras mudanças fossem implementadas em 2027.

Nossa intenção é fazer uma PEC logo. Começar a negociar e tentar construir ainda na transição, para entrar o ano (de 2027) com a expectativa de juros em queda”, disse.

Conselho para discutir supersalários

A PEC defendida por Daniella também criaria um “Conselho da República”, formado por representantes dos três Poderes. O órgão teria entre suas atribuições discutir medidas para combater os chamados supersalários, além de propostas relacionadas às emendas parlamentares.

A executiva afirmou que o governo precisaria revisar sua própria estrutura antes de propor mudanças que afetassem outros setores da sociedade.

O Estado que vai ter que olhar para si mesmo antes de discutir outras medidas estruturantes”, declarou.

Daniella também citou um possível “choque de gestão”, com redução da estrutura ministerial e corte de despesas operacionais e administrativas.

Salário mínimo

Questionada sobre uma possível mudança na regra de reajuste do salário mínimo e sobre alterações na estabilidade dos servidores públicos, Daniella não apresentou medidas específicas.

Segundo ela, esses temas ainda estão em discussão e dependerão de decisões políticas.

A coordenadora econômica afirmou, porém, que qualquer ajuste deveria ser precedido pela redução de desperdícios e de despesas consideradas excessivas dentro da própria estrutura do Estado.

“Não há moral para discutir nenhum ajuste em nada da população brasileira enquanto não se olhar para o excesso e para o desperdício de recursos”, afirmou.

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