Diplomacia e Comércio

Ministro da Fazenda aposta em melhora na relação com os EUA após eleições

Dario Durigan avalia que sobretaxas comerciais aplicadas pelos EUA são pontuais e defende que o Brasil mantém postura firme no cenário global.

Ipolítica, com informações do G1

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, espera retomada da relação com os Estados Unidos após as eleições e defende ajuste das contas públicas. (Foto: Marcelo Camargo)

BRASIL – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (17) que espera uma melhora na relação com os Estados Unidos após as eleições de outubro. Segundo ele, os problemas entre os dois países são pontuais e o diálogo e o comércio podem voltar à normalidade depois do período eleitoral.

A declaração foi dada durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo. Durigan também afirmou que o Brasil não pretende fazer um alinhamento automático com nenhum país.

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Segundo o ministro, o Brasil deve buscar relações comerciais e diplomáticas que evitem uma dependência maior de uma única nação.

"O Brasil não se dobra à América do Norte, à Europa ou à Ásia. O Brasil se vê como liderança global que merece respeito", afirmou.

Tarifas dos Estados Unidos

Durigan criticou as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ele afirmou que não considera coerente o fato de o Brasil sofrer sobretaxas enquanto mantém déficit comercial com os norte-americanos, ou seja, importa mais dos Estados Unidos do que exporta.

Em julho, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções. O governo norte-americano justificou a medida citando questões comerciais e outros assuntos relacionados ao Brasil.

No fim do mesmo mês, os Estados Unidos também anunciaram novas tarifas para diversos países, incluindo o Brasil.

Brasil não fará alinhamento automático

O ministro afirmou que o Brasil deve manter relações com diferentes países sem ficar dependente de apenas um parceiro.

"Seja porque a gente não vai ficar dizendo que nós vamos fazer tudo que um país da América do Norte quer, não vamos fazer nenhuma coisa nenhuma que vamos achar o nosso caminho em termos de potencialidades", declarou.

Durigan também destacou que Brasil e Estados Unidos mantêm parcerias na área de segurança e no combate ao crime organizado na América Latina.

Segundo ele, órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal já mantêm canais de troca de informações com outros países, e essas relações devem continuar independentemente das divergências políticas.

Ministro defende redução dos juros

Além da relação com os Estados Unidos, Durigan falou sobre a situação econômica brasileira e defendeu medidas para reduzir a taxa de juros.

A taxa Selic está em 14% ao ano. Para o ministro, o governo precisa controlar os gastos públicos para criar condições para uma redução dos juros.

Entre as medidas citadas por ele estão:

  • controle das despesas obrigatórias;
  • revisão das emendas parlamentares;
  • discussão sobre privilégios;
  • revisão de gastos com aposentadorias;
  • avaliação de despesas com servidores públicos e militares;
  • revisão de benefícios e salários acima do teto.

Durigan afirmou ainda que, em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo deverá continuar buscando o equilíbrio das contas públicas.

Segundo o ministro, o controle dos gastos é necessário para que o país possa retomar projetos de desenvolvimento em meio às incertezas da economia mundial.

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