Medida Comercial

Governo brasileiro inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA

O governo brasileiro deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta ao tarifaço comercial.

Imirante, com informações do G1

Brasil inicia processo de reciprocidade contra os EUA após tarifas sobre produtos nacionais e solicita consultas diplomáticas. (EFE/ Sarah Yenesel/ Jim Lo Scalzo ARQUIVO)

BRASIL – O governo brasileiro iniciou, nesta quinta-feira (13), o processo de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que notificará os Estados Unidos e solicitará a realização de consultas diplomáticas.

A medida tem como base a Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025. A legislação permite que o Brasil adote medidas, restrições ou tarifas equivalentes às aplicadas por outro país.

Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp

Segundo o governo brasileiro, o objetivo inicial é utilizar as consultas diplomáticas para tentar reduzir ou anular os efeitos das medidas adotadas pelos Estados Unidos.

As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação”, informou o governo.

Notificação aos Estados Unidos

A previsão do Itamaraty é que a Embaixada do Brasil em Washington comunique oficialmente o governo norte-americano sobre o início do processo de reciprocidade nesta sexta-feira (14).

Entre os órgãos que devem ser notificados estão o Departamento de Estado dos Estados Unidos e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

O governo brasileiro afirmou ainda que vinha atuando junto ao USTR para tentar encerrar as investigações realizadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Segundo a nota divulgada pelo governo, foram apresentadas evidências para contestar as alegações de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

Tarifas impostas pelos Estados Unidos

O início do processo de reciprocidade ocorre após a adoção de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar duas tarifas:

  • uma alíquota de 25%, aplicada sob a alegação de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos Estados Unidos;
  • uma tarifa de 12,5%, relacionada à alegação de falhas na fiscalização da importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

O governo brasileiro considera as medidas discriminatórias e unilaterais e afirma que elas violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos na OMC.

Reunião de Lula

Pouco antes da divulgação da nota sobre o processo de reciprocidade, Lula se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim.

O encontro tratou das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos e das respostas que poderão ser tomadas pelo governo brasileiro.

Setor produtivo é contrário à reciprocidade

A adoção de medidas de reciprocidade também enfrenta resistência de setores da economia brasileira.

Representantes do setor de máquinas e equipamentos já haviam se manifestado contrariamente à aplicação da Lei de Reciprocidade. Após a entrada em vigor de uma tarifa de 25%, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o Brasil priorizasse as negociações diplomáticas e empresariais com os Estados Unidos.

Cronologia do tarifaço

As medidas comerciais entre Brasil e Estados Unidos foram ampliadas ao longo dos últimos meses. Entre os principais acontecimentos estão:

  • Abril de 2025: Donald Trump anunciou tarifas recíprocas e aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros.
  • Junho de 2025: os Estados Unidos elevaram para 50% as tarifas sobre aço e alumínio.
  • Julho de 2025: Trump anunciou novo aumento de 40%, levando a tarifa de diversos produtos brasileiros a 50%, com uma lista de exceções.
  • Novembro de 2025: os Estados Unidos retiraram a tarifa de 40% de novos produtos, incluindo café, carnes e frutas.
  • Fevereiro de 2026: a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas, derrubando as taxas de 10% e 40% sobre o Brasil.
  • 22 de julho de 2026: entrou em vigor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação baseada na Seção 301.
  • 24 de julho de 2026: começou a valer uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros.

Com o início do processo de reciprocidade, o governo brasileiro deverá primeiro buscar uma solução por meio das consultas diplomáticas antes de avançar para eventuais contramedidas comerciais.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.