BRASÍLIA – O senador Jaques Wagner (PT-BA) não será ouvido pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (7) no inquérito da Operação Compliance Zero que apura as relações entre o parlamentar e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O depoimento estava marcado para esta sexta, mas foi adiado após pedido da defesa.
Segundo os advogados do senador, o adiamento foi solicitado porque a defesa ainda não conseguiu acessar o conteúdo da investigação por problemas técnicos. O material teria sido requerido no mesmo momento em que a data do depoimento foi acertada com a Polícia Federal, há quase um mês.
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A defesa afirmou ainda que Jaques Wagner pretende prestar depoimento, mas somente depois de conhecer os elementos reunidos na investigação e saber quais fatos estão sendo apurados.
Segundo depoimento adiado
Este é o segundo depoimento cancelado nesta semana no inquérito que apura as relações entre Jaques Wagner e Augusto Lima.
Na segunda-feira (3), a Polícia Federal também adiou a oitiva de Lima, que havia sido marcada para aquele dia. O ex-sócio de Daniel Vorcaro era controlador do Banco Pleno, instituição que também foi liquidada pelo Banco Central.
A Polícia Federal intimou Wagner em 21 de julho para prestar depoimento nas investigações da Operação Compliance Zero.
A operação investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. Com o avanço das apurações, a PF identificou relações de integrantes do banco com lideranças políticas de Brasília e investiga se essas conexões contribuíram para o funcionamento do esquema.
Relação com Augusto Lima
Augusto Lima é apontado pela Polícia Federal como o elo entre Jaques Wagner e o caso Master.
Segundo a investigação, foram identificadas pelo menos 74 ligações telefônicas entre os dois. Lima era chamado pelo senador pelo apelido de "Guga".
A relação entre os dois é um dos pontos analisados pela PF no inquérito. O depoimento de Wagner deveria integrar essa etapa das investigações, mas ainda não há nova data informada para a oitiva.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa afirmou que pediu o adiamento com antecedência e que a solicitação ocorreu exclusivamente porque ainda não teve acesso ao material da investigação.
Os advogados acrescentaram que não farão considerações sobre o mérito da investigação até terem acesso aos dados necessários para análise (veja mais abaixo).
Leia a nota na íntegra
"A defesa do senador Jaques Wagner informa que requereu, com antecedência proporcional, o adiamento do depoimento designado para o dia 7 de agosto, em data que havia sido ajustada com a autoridade policial.
O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês.
O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor.
A defesa não fará considerações sobre o mérito até possuir esses dados para análise.
Salvador, 7 de agosto de 2026".
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