BRASÍLIA – Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decidiu deixar a coordenação da campanha à reeleição do petista após a revelação de um empréstimo de R$ 249 mil contraído com a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal.
Marcola, informou em nota divulgada na terça-feira (4) que quitou o valor após obter um empréstimo pessoal junto à empresária. Ele também colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para demonstrar que "jamais houve nada além do empréstimo pessoal" e negou qualquer irregularidade. No entanto, não informou quando a operação foi realizada.
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Empréstimo é investigado
A transferência financeira realizada por Roberta Luchsinger está sendo investigada pela Polícia Federal. A empresária é apontada nas investigações como lobista e é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Segundo Marcola, a relação financeira entre os dois se limitou ao empréstimo pessoal, sem qualquer irregularidade.
Saída da campanha
Marcola havia deixado o Palácio do Planalto em julho para integrar a coordenação da campanha de Lula à reeleição. Na equipe, exercia função semelhante à desempenhada em 2022, atuando na organização da agenda do presidente ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.
De acordo com pessoas próximas, o ex-chefe de gabinete decidiu deixar a campanha para se dedicar à própria defesa. Nos bastidores, aliados avaliam que ele vinha sendo alvo de críticas internas.
Relação com Lula
Aos 40 anos, Marcola é considerado um dos auxiliares mais próximos de Lula. Ele acompanha o presidente desde 2015, quando passou a atuar no Instituto Lula.
Também participou da organização da caravana de Lula pelo país em 2017 e se mudou para Curitiba durante o período em que o presidente esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, entre 2018 e 2019.
Repercussão
Após a divulgação do empréstimo, integrantes do Palácio do Planalto reconheceram, de forma reservada, o constrangimento causado pelo episódio. A avaliação é que contrair um empréstimo não constitui crime, mas que Marcola precisa apresentar documentos que comprovem a operação e esclarecer os detalhes da transação para reduzir o desgaste político.
Segundo interlocutores do governo, o caso pode alimentar críticas da oposição em um momento de campanha eleitoral, especialmente por envolver investigações relacionadas ao INSS.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa pela Presidência, tem explorado o episódio para associar o escândalo do INSS ao governo federal.
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