BRASIL – A Polícia Federal (PF) tentou impedir que a nova investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fosse distribuída por prevenção ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação argumentou que a apuração trata de fatos distintos dos investigados na Operação Sem Desconto e, por isso, deveria ser distribuída por sorteio entre os ministros da Corte.
Apesar do pedido, o sorteio eletrônico realizado pelo STF acabou definindo o próprio André Mendonça como relator do caso. Na quinta-feira (30), o ministro autorizou a abertura do inquérito solicitado pela PF.
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PF e PGR defenderam sorteio
O pedido de investigação foi encaminhado ao STF em 24 de julho. A Polícia Federal pretende apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha por suposto favorecimento ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
Durante o recesso do Judiciário, o então presidente em exercício da Corte, ministro Alexandre de Moraes, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliar se havia conexão entre a nova investigação e os inquéritos já conduzidos por André Mendonça.
Em parecer enviado no dia 27 de julho, a PGR concordou com a posição da PF e afirmou que os fatos investigados eram distintos daqueles relacionados ao esquema de fraudes em descontos de aposentados e pensionistas, defendendo a livre distribuição do procedimento.
Sorteio manteve o caso com Mendonça
Com base na manifestação da PGR, Alexandre de Moraes determinou que o processo fosse distribuído por sorteio. No entanto, o sistema eletrônico definiu André Mendonça como relator da investigação.
Segundo a reportagem de O Globo, integrantes do STF interpretaram a manifestação da Polícia Federal como uma tentativa de evitar que o ministro conduzisse o caso. O episódio teria ampliado o desgaste entre o gabinete de Mendonça e a PF, que já acumulavam divergências em investigações envolvendo o Banco Master e a Operação Sem Desconto.
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