BRASIL – O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, criticou nesta quarta-feira (29) a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, e a exibição de um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Em entrevista após reunião com representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), em Brasília, Caiado afirmou que o evento deu mais destaque aos convidados do que ao próprio candidato.
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"Foi ali um evento, uma convenção em que o candidato perdeu para um argentino e perdeu para um avatar. Ali não tinha presença do candidato, não tinha proposta. E o pior, desse um nível tão rasteiro de agressão. De repente, ao invés de nós discutirmos temas nacionais, nós estamos discutindo o problema de agressão aos Estados Unidos, com a Argentina", declarou.
O presidente do PSD e candidato a vice-presidente na chapa, Gilberto Kassab, também fez críticas à convenção do PL. Segundo ele, o evento deixou de apresentar propostas para o país e concentrou o debate em conflitos políticos.
"A convenção fugiu dos objetivos que a sociedade brasileira espera. Ela esperava lá a apresentação de um candidato com propostas. Ele traz um presidente de outro país, um país que tem relações importantes com o Brasil, para fazer um bate-boca com o atual governo, que cai na armadilha e também baixa o nível", afirmou.
Caiado defende cumprimento da legislação sobre IA
Questionado sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que concedeu prazo para a defesa de Jair Bolsonaro explicar se autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo criado por inteligência artificial, Caiado afirmou que seguirá as normas previstas na legislação eleitoral.
Segundo ele, qualquer utilização da tecnologia deve respeitar os critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Além disso, o candidato defendeu a atualização da legislação sobre inteligência artificial e ressaltou a necessidade de proteger os direitos autorais de conteúdos utilizados por essas ferramentas.
Regras do TSE para uso de inteligência artificial
Em março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma resolução que disciplina o uso da inteligência artificial na propaganda eleitoral das eleições de 2026.
Entre as medidas, a norma proíbe a publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas posteriores ao encerramento do pleito.
A resolução também determina que conteúdos produzidos com IA para criar, alterar ou manipular imagens e sons devem trazer identificação clara, destacada e acessível ao público.
Além disso, as empresas responsáveis por ferramentas de inteligência artificial ficam proibidas de favorecer ou prejudicar candidatos, partidos, federações ou coligações por meio de recomendações, respostas automatizadas ou qualquer forma de priorização de conteúdo político-eleitoral.
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