BRASÍLIA – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que não vê problema na participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. No entanto, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que eventuais declarações do argentino sobre assuntos internos do Brasil serão respondidas.
Segundo interlocutores do governo, a Embaixada da Argentina comunicou previamente a visita de Javier Milei ao evento, mas não houve pedido para agenda com autoridades brasileiras.
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Planalto monitora declarações
De acordo com fontes do governo, o Planalto pretende se manifestar caso Javier Milei faça comentários sobre temas considerados de competência interna do Brasil, como o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar disso, a avaliação é de que a presença do presidente argentino em um evento partidário não representa, por si só, um problema diplomático.
Convenção sem vice definido
A convenção nacional do PL será realizada neste sábado (25), em São Paulo, para oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O senador ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice na chapa. A estratégia da campanha é escolher uma mulher para ampliar o apoio entre o eleitorado feminino.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, recusou o convite. Segundo aliados, ela pretende disputar a presidência do Senado em 2027.
Federação mantém neutralidade
Outro obstáculo enfrentado pela campanha de Flávio Bolsonaro é a decisão da federação formada por PP e União Brasil de permanecer neutra no primeiro turno da eleição presidencial.
Segundo o presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), a posição busca preservar as alianças estaduais, já que a federação apoiará candidatos de diferentes espectros políticos nos estados.
A coordenação da campanha pretende manter as negociações até o prazo final para as coligações, em 5 de agosto, na tentativa de definir o candidato a vice e ampliar a base de apoio.
Governo atuou nos bastidores
Interlocutores do presidente Lula afirmam que o governo trabalhou para convencer a federação União Progressista a não apoiar Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
As conversas foram conduzidas pelo ministro da Articulação Política, José Guimarães, e pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, além de contatos feitos pelo próprio presidente Lula com dirigentes das duas legendas.
Segundo aliados do governo, a neutralidade evita que a candidatura do PL tenha acesso a mais tempo de propaganda eleitoral e recursos de campanha provenientes de uma aliança com a federação.
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