BRASÍLIA – O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou nesta sexta-feira (10) que segue "empenhado" nas negociações com autoridades dos Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço proposto pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
A manifestação foi enviada após entidades que representam empresários brasileiros e americanos defenderem uma nova rodada de negociações entre os dois países. O prazo para um acordo termina em 15 de julho.
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"Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional", informou o Itamaraty.
Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4,2 mil produtos brasileiros poderão ser afetados caso o tarifaço entre em vigor. Entre eles estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico. Juntos, esses produtos representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores avaliam que a decisão do USTR tem caráter político e desconsidera os argumentos apresentados pelo governo brasileiro ao longo do último ano sobre temas como o PIX e o combate ao desmatamento.
A percepção do governo é de que as autoridades americanas têm adotado uma postura considerada "inflexível", apresentando questões classificadas como "inegociáveis" durante as tratativas.
Carta conjunta
Na quinta-feira (9), a CNI, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce divulgaram uma carta conjunta pedindo que Brasil e Estados Unidos mantenham as negociações para evitar o tarifaço.
O documento foi encaminhado ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; ao representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer; e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
As entidades reafirmam apoio ao fortalecimento da parceria econômica entre os dois países, destacam que a relação bilateral é estratégica nas áreas de comércio, investimentos, tecnologia e inovação e defendem uma solução negociada para o impasse.
"Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros", afirma o documento.
As entidades acrescentam que uma solução construída por meio do diálogo tende a produzir resultados mais duradouros e evita impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.
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