relações exteriores

Itamaraty cita Venezuela, Colômbia e Cuba ao alertar para risco de ação dos EUA

Documento do Itamaraty menciona precedentes envolvendo EUA para justificar preocupação após classificação do PCC e do CV como terroristas

Ipolítica, com informações do g1

Itamaraty cita casos da Venezuela, Colômbia e Cuba ao justificar preocupação com possíveis ações dos EUA após classificação do PCC e do CV. (Foto: Mateus Oliveira/MRE)

BRASÍLIA – O Itamaraty afirmou, em resposta enviada à Câmara dos Deputados, que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos pode representar riscos à soberania brasileira. No documento, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, menciona precedentes envolvendo Venezuela, Colômbia e Cuba para justificar a preocupação com uma eventual atuação extraterritorial americana.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, não há qualquer elemento novo que indique uma ação militar dos Estados Unidos contra o Brasil. A referência feita pelo chanceler tem como base episódios recentes envolvendo outros países da América Latina.

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Itamaraty cita precedentes

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas foi anunciada pelo governo de Donald Trump no fim de maio, sem tratativas formais prévias com o governo brasileiro, segundo o Itamaraty.

No documento encaminhado à Câmara, Mauro Vieira afirma que a medida "representa riscos concretos à soberania nacional" e pode abrir espaço para ações extraterritoriais dos Estados Unidos em áreas como os sistemas financeiro, migratório e penal.

O ministro acrescenta que também existe o risco de uso da força militar, citando exemplos recentes registrados na região.

Casos mencionados

Entre os episódios citados pelo chanceler está a operação realizada pelos Estados Unidos em janeiro deste ano, em Caracas, que resultou na prisão do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O documento também faz referência aos ataques promovidos pelos EUA contra embarcações próximas à costa da Colômbia, em outubro de 2025. Na ocasião, o governo americano alegou que os barcos eram utilizados por traficantes de drogas.

Outro exemplo citado é Cuba. Segundo o Itamaraty, declarações recentes do presidente Donald Trump e o aumento da pressão política e militar sobre a ilha também integram o contexto utilizado pelo governo brasileiro para justificar sua preocupação.

Governo brasileiro

Na resposta ao deputado Evair de Melo, Mauro Vieira afirmou que classificar organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas não traz benefícios concretos para a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.

Para o ministro, a medida pode servir de fundamento para ações unilaterais dos Estados Unidos sobre instituições brasileiras.

O governo brasileiro informou ainda que apresentou aos Estados Unidos uma proposta de cooperação bilateral para o enfrentamento do crime organizado, mas que, até o momento, não recebeu resposta.

Segundo integrantes do Itamaraty, a posição do governo não representa defesa do PCC ou do Comando Vermelho, mas da legislação brasileira e do princípio da soberania nacional. A avaliação é de que o combate às facções deve ser conduzido pelas instituições brasileiras, com eventual cooperação internacional, mas sem interferência unilateral de outros países.

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