BRASIL – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (7), durante audiência promovida pelo governo dos Estados Unidos em Washington, que este é o "pior momento possível" para a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O parlamentar pediu a suspensão da medida, criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu o sistema de pagamentos instantâneos Pix.
A audiência foi organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), etapa final da investigação comercial aberta contra o Brasil. Em uma apresentação de cerca de cinco minutos, Flávio voltou a defender uma negociação entre os dois países para evitar a entrada em vigor das tarifas.
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"Não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e cancelem esta medida para que possamos negociar", afirmou.
Flávio diz que tarifa fortaleceria Lula
Durante a audiência, o senador argumentou que a sobretaxa prejudicaria tanto a economia brasileira quanto empresas e consumidores norte-americanos. Segundo ele, a medida acabaria fortalecendo politicamente o governo Lula.
"Os dados de 2025 mostraram que as tarifas não produziram os resultados pretendidos pelos Estados Unidos. Em vez disso, elas foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro", declarou.
Flávio também afirmou que o calendário eleitoral brasileiro deveria ser considerado pelas autoridades americanas.
"Em apenas noventa dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente. Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter seria o pior momento possível para agir", disse.
A declaração ocorre após críticas recebidas pelo senador por um documento entregue ao USTR na semana passada, interpretado por adversários como um pedido para adiar o tarifaço até depois das eleições de 2026.
Senador defende o Pix
Outro tema abordado por Flávio Bolsonaro foi o Pix, incluído na investigação comercial dos Estados Unidos.
Segundo o parlamentar, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos não representa concorrência desleal às empresas americanas, mas uma política pública que ampliou a inclusão financeira no país.
"O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira e beneficiou também empresas americanas, já que os sistemas se complementam e não competem", afirmou.
Investigação comercial dos EUA
Além do Pix, a investigação conduzida pelo USTR analisa políticas brasileiras relacionadas a:
- comércio digital;
- propriedade intelectual;
- acesso ao mercado de etanol;
- tarifas preferenciais;
- combate à corrupção;
- desmatamento ilegal.
As manifestações apresentadas durante as audiências servirão de base para a recomendação técnica que será enviada ao governo americano antes da decisão definitiva sobre a aplicação das tarifas, prevista para 15 de julho.
Governo brasileiro acompanhou audiência
Enquanto Flávio Bolsonaro participava da audiência, o governo brasileiro manteve a estratégia de não se manifestar no evento.
O Itamaraty enviou uma observadora da Embaixada do Brasil em Washington e reiterou que a audiência não é considerada um canal formal de negociação entre os dois governos, mas apenas um espaço para ouvir representantes do setor produtivo e da sociedade civil.
Além de Flávio Bolsonaro, participaram representantes da indústria brasileira, empresas americanas e entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
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