SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

STF libera pagamento de penduricalhos com regras mais restritas

Corte definiu que verbas indenizatórias adquiridas até março de 2026 poderão ser pagas, desde que respeitem limite de 35% e passem por validação.

Ipolítica, com informações do g1

STF decide liberar parte dos penduricalhos com regras mais restritas para magistrados e membros do Ministério Público. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASIL – O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (30) para liberar o pagamento de parte dos chamados penduricalhos STF, verbas indenizatórias destinadas a magistrados, procuradores e promotores. A decisão fixa critérios mais restritivos para a liberação dos valores e consolida o entendimento de que apenas benefícios adquiridos até março de 2026 poderão ser pagos, desde que respeitem um limite de 35% e sejam validados pelos órgãos de controle.

A maioria foi alcançada com o voto da ministra Cármen Lúcia, que acompanhou o entendimento conjunto dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. O placar ficou em 6 votos a 4.

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Embora todos os ministros tenham concordado com a possibilidade de pagamento dos penduricalhos STF, a divergência ocorreu sobre a abrangência da liberação. Prevaleceu a corrente que estabeleceu regras mais restritas.

O que muda com a decisão

Pela tese vencedora, poderão ser pagos valores referentes a direitos funcionais adquiridos até março de 2026, desde que:

  • tenham sido reconhecidos antes da decisão do STF;
  • sejam validados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ou pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP);
  • respeitem o limite de 35% das verbas indenizatórias.

A decisão contempla indenizações relacionadas a férias não usufruídas, licença-prêmio e plantões judiciais, entre outras parcelas previstas.

Cármen Lúcia defende regulamentação pelo Congresso

Ao votar, Cármen Lúcia ressaltou que o Supremo solucionava apenas o caso concreto, mas afirmou que cabe ao Congresso Nacional aprovar uma legislação definitiva para disciplinar salários, indenizações e demais verbas pagas aos servidores públicos.

Segundo a ministra, uma lei específica poderá ampliar a transparência dos gastos públicos e reduzir dúvidas sobre quais pagamentos são permitidos.

Corrente divergente defendia liberação mais ampla

A posição vencida foi liderada pelo ministro Luiz Fux e acompanhada por Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli.

Esse grupo defendia que verbas já reconhecidas pela administração pública fossem pagas integralmente, sem limitação temporal e sem incidência do teto de 35%.

Para Nunes Marques, esses valores representam direitos adquiridos por magistrados que deixaram de usufruir férias, licenças ou plantões por necessidade do serviço público, não configurando novas vantagens.

O ministro também propôs a liberação do pagamento em dinheiro de auxílio-creche ou pré-escolar para magistrados com filhos menores de cinco anos quando não houver oferta do benefício pelo poder público, proposta que não prevaleceu.

Entenda a decisão do STF

Os ministros analisavam recursos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e por associações de magistrados e integrantes do Ministério Público contra a decisão do STF, tomada em março deste ano, que restringiu o pagamento das verbas indenizatórias.

Com o julgamento encerrado, permanece autorizada apenas a liberação dos penduricalhos STF adquiridos antes de março de 2026 e dentro das condições estabelecidas pela maioria da Corte.

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